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domingo, 3 de maio de 2009

Especial TV Digital

Referências


LIVROS e ARTIGOS

"Distance Education" de Moore & Kearsley;

"Creating a Web-based Course for Undergraduate Pre-Education Students" de William J. Valmont;

"Mídia Educativa, Treinamento e Educação a Distância: Quase um manifesto" de Samuel Pfromm Netto;

"Manual de Vídeo" de Rudi Santos

"O Poder do Mito" de Bill Moyers e Joseph Campbell;

"A Jornada do Escritor" de Christopher Vogler;

"Da Criação ao Roteiro" de Doc Comparato;

"GUIA BÁSICO PARA PRODUÇÃO DE UM FILME DIGITAL" de Peter Broderick, Mark Stolaroff e Tara Veneruso, publicado na revista FilmMaker.


SITES

"A TV Digital interativa no espaço educacional" de SERGIO FERREIRA DO AMARAL e DANIEL MOUTINHO PACATA
(http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2003/ju229pg2b.html)

"Adolescentes são curadores da Mostra VILATIVA"
(http://www.midiativa.org.br/index.php/midiativa/content/view/full/3385)

Dicas Técnicas sobre operação com videos

Dicas sobre as etapas de produção de um filme

Endereço eletrônico da Associação Brasileira de Cinematografia

TV digital amplia alternativas de inclusão social

18/01/2006
Paulo Franco
Projeto Brasil

Educação à distância deve ganhar agilidade

No ar desde 1996, a "TV Escola" do Ministério da Educação dará um salto de qualidade com a implantação da TV digital no Brasil. Com o novo sistema, o sinal digitalizado vai acabar com os chiados e fantasmas na imagem, além dos ruídos no áudio e permitir um alcance muito maior do que o atual. Outra vantagem será a utilização da interatividade para colher dados em tempo real, eliminando assim a necessidade de sensos para dimensionar e solucionar determinados problemas.

Em um país do tamanho do Brasil, a comunicação TELESPECTADOR - EMISSORA torna-se essencial para a avaliar a resposta do professor e aluno, para assim desenvolver soluções flexíveis e descentralizadas que respondam a demandas específicas ou regionais. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 45 mil escolas públicas de todo o Brasil recebem o sinal da TV Escola. Esse número representa um potencial de alcance de cerca de 29,5 milhões de alunos e 1,2 milhão de professores.

A TV Escola atende em grande parte a inclusão social, um dos principais objetivos do decreto presidencial 4.901, que institui o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Dentre as soluções desenvolvidas por pesquisadores nacionais está um software que permite ao Ministério da Educação manter um banco de imagens em um servidor acessível aos professores em qualquer parte do Brasil. Para acessar essas informações, o educador solicita a liberação do sinal e o conteúdo em um determinado horário para complementar o ensino em sala de aula.

A TV Escola é um canal da Secretaria de Educação a Distância, do Ministério da Educação, que tem como objetivos principais o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e o aperfeiçoamento dos professores da Educação Básica. Além de séries e documentários nacionais e internacionais relacionados aos currículos escolares, a TV também produz conteúdo e transmite programas sobre saúde, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, cidadania e cultura.

Leia abaixo a avaliação do MEC sobre a introdução da TV Escola na nova tecnologia:

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
TV ESCOLA NO SBTVD
A TV ESCOLA

A TV Escola é um canal da Secretaria de Educação a Distância, do Ministério da Educação, que tem como objetivos principais o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e o aperfeiçoamento dos professores da Educação Básica.

No ar desde 1996, a TV Escola transmite séries e documentários diretamente relacionados aos currículos escolares do Ensino Infantil, Fundamental e Médio, contemplando áreas como Língua Portuguesa, Matemática, Ética, História, Sociologia, Pluralidade Cultural, entre tantas outras. Ou seja, a TV Escola diferencia-se das televisões educativas em geral por ter um foco específico na escola e seus atores: alunos, professores e gestores.

Produções próprias e realizações dos mais renomados produtores nacionais e internacionais (Channel 4 Learning, BBC, Discovery, National Film Board of Canada, entre muitos outros) fazem da TV Escola um canal respeitado pelo elevado padrão ético, estético, educacional e cultural de sua grade de programas.
Aos fins de semana e feriados, a TV Escola abre as suas portas para toda a comunidade, transmitindo a faixa Escola Aberta, que busca alcançar o público em geral, com programas sobre saúde, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, cidadania e cultura.

ALCANCE DA TV ESCOLA
De acordo com o censo de 2004 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 45 mil escolas públicas de todo o Brasil recebem o sinal da TV Escola. Esse número representa um potencial de alcance de cerca de 29,5 milhões de alunos e 1,2 milhão de professores que recebem diariamente o sinal da TV Escola.

Além disso, será enviado, em fevereiro, aparelhos de DVD e uma caixa com mais de 160 horas de produções da TV Escola, em mídia DVD, a 50 mil escolas públicas. Esse projeto, chamado de DVD Escola, tem como objetivo fazer com que os programas da TV Escola cheguem às escolas que não possuem o sinal.

Mesmo sendo um canal dedicado à educação, o caráter cultural da TV Escola está presente em sua programação. Dessa forma, ONGs, bibliotecas, hospitais, presídios e diversas associações e grupos, além de cidadãos brasileiros interessados em seu aprimoramento utilizam a TV Escola. A qualidade da programação faz com que a TV Escola seja exibida também na Sky (canal 27), Directv (237) e Tecsat (4), ampliando, assim, o público alcançado.

PRINCIPAIS DESAFIOS DA TV ESCOLA
Três são as principais dificuldades da TV Escola. A primeira é a baixa qualidade e robustez do sinal analógico, que chega em muitas regiões do País com problemas de áudio e imagem.

A segunda é o fato de os equipamentos distribuídos pelo MEC já estarem com 10 anos de uso. O custo de manutenção das antenas dificulta a participação efetiva das escolas no programa. Além do mais, os aparelhos de televisão de 20 polegadas distribuídos em 2006 não mais atendem aos padrões atuais propostos à sociedade. Diariamente chegam ao MEC solicitações de escolas, prefeituras e estados - algumas por meio de parlamentares - no sentido de renovação dos equipamentos da TV Escola.

Na última avaliação externa realizada, os professores e diretores pesquisados apontaram como problemas da TV Escola questões relativas à qualidade de imagem e som e à deterioração dos equipamentos. Todavia, o desejo de mais aparelhos de televisão por escola e a disponibilidade de 95% dos professores para fazer um curso de capacitação no uso da TV e vídeo indicam que os educadores reconhecem o potencial pedagógico do canal do MEC e estão predispostos à maior e melhor utilização da TV Escola.

A terceira dificuldade diz respeito exatamente à questão da avaliação do programa. No Censo Escolar, há perguntas sobre os equipamentos, mas faltam levantamentos sobre qualidade do uso. Esporadicamente, são realizadas avaliações externas amostrais, mas o custo é elevado e a operacionalização difícil, dada a abrangência da rede educacional. Com a TV Digital Interativa, o MEC poderá colher dados em tempo real, disseminar resultados e aprimorar o programa.

Por isso, a TV Digital aberta e gratuita representa uma oportunidade ímpar na resolução de alguns problemas estruturais da TV Escola, além de apontar para outras possibilidades exclusivas do meio, entre elas, a interatividade.

A TV ESCOLA ANTECIPA-SE À TV DIGITAL
A equipe de profissionais da TV Escola está consciente de que, em todo o mundo, o maior desafio da TV Digital está na produção de conteúdos apropriados, mais do que na questão da tecnologia. Assim, apesar de haver problemas e desafios a vencer no aspecto da infra-estrutura, na produção própria de conteúdos educacionais, a TV Escola vem desenvolvendo estudos e projetos que definem novos rumos para a interatividade e lançam desafios aos produtores, pesquisadores e empresas que buscam soluções
tecnológicas para a TV Digital.

De fato, é na educação que a TV Digital Interativa alcança seu mais nobre ideal de interatividade: o que chama o telespectador para a análise crítica dos conteúdos, nele despertando o desejo de criar. Trata-se de uma nova forma de oferecer os programas, reconhecendo no usuário (alunos, professores, gestores e outros) um sujeito ativo e não passivo. Pedagogicamente falando, busca-se concretizar desafios lançados por Paulo Freire, Vigotsky, Piaget, Morin e outros educadores que põem em relevo a complexidade e totalidade do ser humano e sua capacidade de construir significados e de gerar projetos e conhecimentos socialmente relevantes.

Obviamente, uma pedagogia de incentivo à formação do leitor crítico dos meios e de estímulo à autoria exigirá uma infra-estrutura que fomente e concretize as inúmeras respostas de atores individuais e coletivos motivados a explorar, analisar, contextualizar, aprofundar, expandir, enfim, a produzir sua própria visão e experiência sobre o tema.

Assim, soluções tecnológicas para a TV Digital Interativa a ser utilizada pela área de educação são mais complexas do que as demandas da TV comercial. E resolver esse desafio significa colocar o Brasil na dianteira em relação a muitos países.

Sinalizando sua disposição no pioneirismo e não se limitar a discursos, a TV Escola está finalizando um programa - GerAção Saúde - que aponta caminhos de interatividade para a TV Digital, não em uma versão de simples escolhas entre A, B ou C, mas envolvendo o telespectador em propostas mais criativas.

Outro exemplo da ousadia da TV Escola é a realização do 1º Programa TV Escola de Fomento a Conteúdos Educacionais Multimeios, que selecionará projetos televisivos que atendam ao formato de pré-exibição, exibição e pós-exibição. Esse formato, a seguir apresentado, pretende traduzir a nova pedagogia da TV Escola: a que integra tecnologias - preparando a TV Digital Interativa - e fomenta a autoria própria.

- Pré-exibição: concisa orientação e preparação do educador para a análise do vídeo e sua futura utilização, dentro e fora da sala de aula. A pré-exibição vai ao ar, obrigatoriamente, pela TV Escola, podendo também ser veiculada na Internet, e busca atrair o educador, despertando seu interesse em relação aos objetivos, conhecimentos e competências que podem ser explorados com o programa, assim como seu uso multidisciplinar, além de auxiliá-lo a preparar um plano de aula mais completo e diferenciado. Exemplos de pré-exibição: trailers, teasers, previews, cenas de bastidores etc.

- Exibição: é o programa televisivo que vai ao ar pela TV Escola e, eventualmente, em outros canais de televisão e que aborda determinado tema, utilizando todos os recursos tecnológicos da moderna televisão e garantindo qualidade de áudio, imagem e conteúdo científico-cultural-educacional.

- Pós-exibição: conjunto de atividades multimeios que complementa a aprendizagem proporcionada pelo vídeo e que antecipa conteúdos interativos da TV digital. Na pós-exibição, o aluno poderá testar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no vídeo. Como exemplo de pós-exibição, destacam-se: testes; textos, vídeos e links complementares; sugestões de projetos e atividades; jogos educativos; objetos interativos de aprendizagem; atividades na web; enquetes; iconografia, entre outros.

Ainda no que diz respeito a conteúdos, a TV Escola prepara-se para, em 2006, abrir duas novas faixas em sua programação: uma que atenda à qualificação profissional e outra para apoiar a Universidade Aberta do Brasil - programa que amplia significativamente as possibilidades de acesso à educação superior.

Paralelamente à produção de conteúdos educacionais que promovam a interatividade, a Secretaria de Educação a Distância lançou o Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, que objetiva formar professores e gestores capazes de ler criticamente os meios e de produzir para TV, vídeo, redes, rádio e, ainda, materiais impressos.

As perspectivas e projetos apresentados consolidam a TV Escola como um poderoso veículo de educação, cobrindo desde a educação infantil até a profissionalizante e a superior, sem esquecer a formação continuada de educadores.

NECESSIDADES DA TV ESCOLA NO SBTVD
O Ministério da Educação acredita que a presença da TV Escola no Sistema Brasileiro de Televisão Digital - SBTVD é estratégica e fundamental para o desenvolvimento das potencialidades da Educação, graças, principalmente, à interatividade.

Uma das dificuldades que a Educação a Distância encontra num país tão extenso quanto o Brasil é a possibilidade real de avaliar, objetivamente e sem ruídos, a resposta do "outro lado da linha" - a do professor e a do aluno. Assim, a TV Escola no SBTVD poderia implantar um sistema de avaliação quantitativa e qualitativa que permitiria o aperfeiçoamento constante do programa e o desenvolvimento de soluções flexíveis e descentralizadas para responder a demandas específicas ou regionais.

Dentro das possibilidades tecnológicas apontadas pelos modelos estrangeiros e sugeridas pelos consórcios nacionais, o MEC aponta a interatividade como ferramenta essencial para a prática plena de uma educação sem distâncias e de alto padrão de qualidade.

Por isso, dentro das freqüências a serem licitadas para os novos players, a TV Escola necessita de espaço para transmissão em SDTV e com banda suficiente para todas essas aplicações interativas. Para tanto, o sinal da TV Escola deve ser carregado pelas empresas vencedoras do processo licitatório, de forma que todas as regiões do País possam receber a programação do canal da educação.

Com isso, o Governo Federal estará garantindo uma política de Estado que respeita os princípios e objetivos estabelecidos pela Constituição Federal para o setor de educação e para os meios de comunicação - finalidades educativas, culturais, com a valorização de programação regional e independente, garantindo o cumprimento do direito à informação plural e diversificada, dentro de elevados padrões estéticos e éticos.

Mais do que qualquer outro canal de televisão, o potencial de inclusão tecnológica, social e educacional da TV Escola? é enorme e sua determinação na produção e seleção de conteúdos, sua independência em relação a interesses comerciais e seu compromisso inequívoco com o cidadão qualificam-na como um canal estratégico para a democratização e eqüidade da educação brasileira e essencial para o desenvolvimento sustentável e soberano do País.


Fonte: E-Proinfo

A TV Digital interativa no espaço educacional

Sergio Ferreira do Amaral*
Daniel Moutinho Pacata**

A sociedade da informação e do conhecimento é um território de preocupação constante. Constitui, sem dúvida, um dos campos decisivos de transformação da cultura e da educação de nossos dias.

As mudanças no sistema escolar, em função da chegada das novas tecnologias do conhecimento, nos remete à necessidade de estudar a relação entre comunicação e educação de modo interdisciplinar, baseado nas reflexões teóricas dessas duas áreas, procurando resgatar a unidade intrínseca destes tratados que nem sempre se encontraram unidos.

Esta inter-relação comunicação e educação não é um processo relativamente novo, mas se nutre de fontes bem consolidadas. Vem configurada por um saber teórico que procede das ciências da comunicação aplicadas aos meios. Complementa-se com as fontes da pedagogia e da didática, que são capazes de explicar e compreender os processos de ensino e aprendizagem que acontecem tanto nos ambientes formais como nos informais.

O final do século 20 colocou nas instituições escolares um novo cenário tecnológico: repleto de satélites de comunicação, de fibra óptica, de informação digitalizada, de computadores, de realidade virtual, em resumo, no meio de uma grande explosão de comunicação audiovisual. Toda essa explosão tecnológica, no entanto, trouxe também um novo cenário social: globalização, desenvolvimento do comércio internacional, mudança na produção industrial, transformação de valores culturais.

As instituições escolares vêm enfrentando todas essas mudanças com crises e contradições: reformas, recursos insuficientes, desmotivação de estudantes e professores, desorientação e incertezas. A tecnologia, de uma perspectiva global, influiu nesta situação mais pelos efeitos que foram gerados do que pela incidência no seu interior. O fato é que a incorporação tecnológica na educação é pobre e lenta, principalmente em países como o nosso. Isto explica a pressão e a necessidade das mudanças.

O consumo das novas tecnologias de comunicação, em especial da Internet e da televisão, é uma realidade inquietante, não só pela quantidade de tempo que diariamente são dedicados a estes meios, pelos diversos setores da sociedade, mas também pelos valores das mensagens transmitidas. Hoje em dia, praticamente tudo é visto pela tela da televisão ou pela tela do computador. Assim, é necessário que a instituição escolar esteja preparada para educar com os meios. A educação terá que capacitar pessoas que irão enfrentar um mundo digital de uma forma reflexiva e crítica.

A integração do sistema clássico da TV com o mundo das telecomunicações da informática, onde a internet possibilita a interação e navegação, fez surgir a nova televisão, a TV digital interativa.

A educação para o uso da TV digital interativa encontra sua máxima expressão quando professores e alunos têm a oportunidade de criar e desenvolver através dos meios suas próprias mensagens. A expressão através da TV interativa, como estratégia motivadora e desmistificadora, requer, portanto, não apenas decifrar a linguagem da comunicação, mas sim servir-se dela.

Incorporando esta experiência, alunos e professores podem perceber significativamente a construção da realidade que todo conteúdo mediático comporta. Esta faceta expressiva é fundamental para conseguir o objetivo de uma educação com os meios.

A TV digital abre as portas, de uma maneira muito especial, para a alfabetização audiovisual permanente, possibilitando e fomentando nos espectadores a capacidade de produzir e analisar suas próprias mensagens.

Utilizando a TV desta forma, estaremos propiciando uma educação que promova uma intervenção social e coletiva crítica imprescindível para uma formação de cidadania.

A televisão na sociedade capitalista, segundo os teóricos críticos da escola de Frankfurt, é vista como um agente socializador e formador de opinião. O homem, no modelo tradicional de comunicação (emissor-mensagem-receptor), torna-se objeto e a sua finalidade última é o consumo. A introdução da interatividade na TV coloca em crise este modelo, já que o receptor não será mais um receptor passivo, e sim um receptor ativo.

Admitir tal realidade encaminha-nos para o futuro do uso didático da TV na escola. A interatividade, característica dos novos meios, adquire um sentido pleno no terreno educativo.

Educar através da nova televisão, portanto, vai exigir que educadores e comunicadores afrontem três grandes tarefas: a compreensão intelectual do meio, a leitura crítica de suas mensagens e a capacitação para a utilização livre e criativa.

Os caminhos entre a nova TV que será interativa não são contrários aos caminhos da escola. Estes caminhos se cruzam e se revelam na procura de novas aprendizagens, do entendimento e da vida.

O CPqD e a Faculdade de Educação da Unicamp, antecipando-se à esperada difusão da TV digital, estão desenvolvendo tecnologias de serviços para esta plataforma de comunicação. Em função da sua importância, a teleducação e a inclusão digital foram escolhidas como temas principais. As tecnologias desenvolvidas não se limitam, no entanto, a somente essas aplicações. Elas poderão e deverão ser aplicadas no desenvolvimento de novos serviços que abordem outros temas, tais como, telemedicina, entretenimento, mensagem, comunicação, transação e informação. Os dados na forma de vídeo, áudio, gráfico e texto poderão utilizar a futura plataforma de TV digital para serem acessados, baixados, armazenados e vistos mais tarde, de forma que a TV possa ser um meio tão rico de acesso à informação propiciando uma inclusão digital para as camadas mais carentes da nossa sociedade, tendo em vista que 89% dos lares brasileiros têm uma TV.

O serviço apresentado neste artigo faz parte do Projeto de TV Digital Interativa que está sendo desenvolvido no CPqD com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Este projeto é subdividido em três sub-projetos:
a) o primeiro projeto visa a implantação de uma Estação de Serviços Experimentais, sendo a primeira estação de transmissão aberta em TV digital interativa no Brasil, a ser instalada em Barão Geraldo - Campinas - SP;
b) o segundo projeto é o de desenvolvimento de serviços interativos para a TV digital centrado em serviços para a teleducação que têm como eixo uma pedagogia comunicacional de apoio ao professor em sala de aula, apoio ao estudante em casa e a interação pais - escola tomando como campo experimental três escolas de ensino fundamental localizadas em Barão Geraldo, Campinas, SP;
c) e o terceiro projeto de desenvolvimento de serviços para a convergência da rede de radiodifusão com a rede de computadores (Internet).

A perspectiva da implantação destes serviços na comunidade envolvida é o desenvolvimento de um papel ativo, ao invés da passividade tradicional dos meios, propiciando a elaboração de propostas que possibilitem a relação da TV digital e o telespectador ativo, participativo e crítico dos meios, na escola e fora dela.

Assim, estaremos oferecendo uma seqüência de atividades sistematizadas sobre o uso da TV Digital na comunidade escolar, de maneira que a educação audiovisual deixe de ser uma exceção no decorrer do ano letivo e se converta em um dos objetivos educativos.

Finalmente, estaremos buscando uma proposta inovadora de interação dos meios com a escola e sua comunidade que trate a educação audiovisual de maneira interdisciplinar, na tentativa de integrar experiências anteriores e abrindo caminho para o futuro do qual seguramente fazem parte as novas tecnologias.

*Sergio Ferreira do Amaral é professor na Faculdade de Educação da Unicamp;
**Daniel Moutinho Pacata é engenheiro do CPqD

Fonte

TV Digital

Hoje em dia, ouve-se falar muito sobre televisão digital. Mas o que é essa nova tecnologia? A TV como nós conhecemos segue um padrão onde o espectador tem apenas uma participação passiva, não interferindo em nada do que se passa no programa de TV. Isso acontece porque na TV analógica, o espectro eletromagnético, que é o meio de transmissão, é quase todo ocupado para que o sinal possa ser transmitido. E ainda existe o fato de que ele sofre muita interferência do local onde está a antena de transmissão.

Já a TV digital discretiza todo o tipo de informação, transformando-a em simples 0 e 1. Isso faz com que a largura de banda do sinal seja diminuída e consequentemente seja possível colocar outros tipos de informação, sem que haja qualquer interferência. Isto traz uma consequência direta, a qualidade da imagem muito melhor do que da analógica pois não há perda de informação. Vamos explicar melhor estes conceitos.

Pense no espectro eletromagnético como uma auto-estrada que liga as redes de TV e o aparelho de TV de sua casa. A TV analógica é um grande caminhão carregado que usa a estrada toda para levar a imagem até você.

O caminhão é tão grande que ele não deixa espaço para ninguém poder voltar. É uma estrada de mão única. A TV Digital usa pequenos caminhões que ocupam apenas parte da estrada, pois a carga que eles tem que levar é menor. A estrada ainda é a mesma, o que mudou foram os caminhões. Esses caminhões agora podem utilizar a estrada como uma via de mão dupla. E isso é a revolução da TV digital. Esse retorno faz com que o espectador possa interferir diretamente na programação.

Assista  um vídeo feito pela TV Câmara onde ele tenta explicar de maneira rápida e suscinta o que é e por que é tão importante a TV Digital para o Brasil.


Exemplos:
- Existem algumas experiências com o Discovery Channel nas quais por meio do programa que está sendo exibido, pode-se acessar o site do próprio canal e obter mais informação sobre o assunto que está sendo exposto.

- Você está vendo uma novela. Gostou tanto da roupa de um dos personagens que quer comprar uma igual. Aperta-se um botão e, pronto, você já está conectado com a loja que a vende, faz o pedido, e dentro de alguns dias você recebe o seu produto em casa.

- Aqui mesmo no Brasil, uma operadora de TV por assinatura via satélite oferece um serviço onde você está assistindo o filme que está passando no horário programado. O telefone toca e você simplesmente aciona o controle remoto e a imagem congela, esperando você terminar sua ligação. Você volta do telefone, aperta o botão e o filme volta a passar exatamente de onde havia parado.

Veja, as possibilidades de interatividade da Televisão Digital são praticamente infinitas, porém ainda estamos engatinhando neste processo e o que se tem implementado atualmente são os conceitos comerciais de entretenimento.

Mas a TV digital não fica apenas no âmbito da tela da TV, ela vai mais além, passa pela internet e vai até o celular. No Japão, já existem produtoras de vídeos que produzem capítulos de novela com cerca de 1 minuto para serem exibidos exclusivamente no celular.

No Brasil, várias iniciativas já estão sendo realizadas rumo a utilização da TV Digital na Educação. Veja o texto "TV digital amplia alternativas de inclusão social", de Paulo Franco, sobre este assunto, para melhor compreeender as ações atuais do Governo Federal no escopo da TV Digital educacional, através do programa TV Escola.

Agora que você conhece mais um pouco sobre a TV Digital, saiba mais sobre como pode ser trabalhada esta nova mídia no processo educacional lendo os artigos abaixo:
- "A TV Digital interativa no espaço educacional" de SERGIO FERREIRA DO AMARAL e DANIEL MOUTINHO PACATA
- "Adolescentes são curadores da Mostra VILATIVA"

Fonte: E-Proinfo

Editando Episódios - VirtualDub

Para juntar pedaços de um filme, gerando um único, através do programa VirtualDub.

O Primeiro passo é fazer o download das partes interessadas, salve os arquivos em uma pasta de sua preferência, mas lembre-se qual é.

Após a execução do programa Virtualdub, Clique em File, localizado no canto superior esquerdo da janela, e escolha a opção Open Video File.

Uma janela será aberta para que seja escolhido o video a ser unido pelo programa. Selecione o Primeiro video da sua escolha.

Para se adicionar as outras partes do video repita o procedimento abaixo : Clique novamente em File e dessa vez, escolha a opção "Append AVI Segment", e escolha o arquivo para ser colocado em sequencia com o anterior previamente escolhido.

Terminado de selecionar todos os arquivos, clique em Video, localizado no canto superior da janela e selecione "Direct Stream Copy"

Feito isso, vá em File e clique na opção Save as AVI, e escolha a pasta para onde será salvo o arquivo com todos os filmes unidos.

Aspectos Tecnológicos da TV - Pós-Produção

A EDIÇÃO

Bem, todo o processo de pós-produção envolve basicamente a etapa de edição e suas sub-etapas de construção do material para juntar tudo em um vídeo só. O que acontece nesta etapa é unir o som com a imagem de maneira síncrona. A primeira coisa que se faz é a captura dos takes gravados.


A CAPTURA DOS TAKES
O continuísta entrega para o editor as fitas gravadas e uma lista dos takes que o diretor achou que ficaram bons. O editor, de posse destas fitas e deste documento, começa a capturar os diversos takes. Isso significa pegar a tomada que está numa fita e digitalizá-la, colocando o arquivo dentro do computador. Durante esta fase, deve-se ter o cuidado de sempre capturar pelo menos 5 segundos antes do take se iniciar e 5 segundos depois que o take terminar. Isso ajuda o editor na hora de cortar a cena, pois ele precisa de “espaço” para poder trabalhar. O editor usa então um programa de edição para colocar as tomadas na ordem do roteiro, um depois do outro. A transição de uma tomada para outra se chama corte. Em qualquer programa de edição existe uma lista enorme de opções de corte, muitos deles semelhantes àquelas animações de transição de slides de programas de apresentação de palestras. O corte mais usado é o “corte seco”. Neste, simplesmente a imagem de uma tomada termina e a primeira imagem da próxima cena aparece, sem qualquer tipo de transição.

Na fase de edição é possível, inclusive, adicionar alguns efeitos, dentre eles, o mais comum é chamado de chroma-key. Este efeito tem esse nome por que você filma um ator em fundo com uma cor básica pura (azul, vermelho ou verde), evitando ao máximo a criação de sombras. Esta cor será a cor chave (chroma-key) porque através dos programas de edição será possível eliminá-la da imagem e colocar qualquer outra coisa sem prejudicar o ator que nela está. É assim que são feitas, por exemplo, aquelas imagens dos repórteres da previsão do tempo. Deve-se ter apenas o cuidado de não usar roupas com o mesmo tom de cor do cenário, senão as cores da roupa também irão desaparecer.


O SAFE FRAME
Durante a edição é possível colocar textos ou legendas nos vídeos, cuidando para que quando o vídeo for mostrado numa TV, esta não “esconda” as bordas do quadro da imagem, como é comum acontecer. Por isso, quando for gravar, tenha em mente que 10 % das bordas não aparecem. E, para ter certeza de que os textos possam ser lidos plenamente, dos 90 % restantes, tire mais 10 %. Complicou de novo? Veja a imagem a seguir que ficará mais claro.



A linha azul é o safe frame da imagem:
- A imagem que estiver FORA da linha azul NÃO APARECE na TV
- A imagem que estiver DENTRO da linha azul APARECE na TV
A linha laranja é o safe frame de textos e legendas:
- O texto que estiver FORA da linha laranja NÃO APARECE na TV


A BANDA SONORA
O som é dividido em diálogos, trilha sonora e ruídos de sala. Os diálogos são os sons produzidos pela voz humana. Podem ser tanto os gravados na cena (chamados de som direto) quanto os de narração, que são gravados depois. A trilha sonora é a parte musical de um vídeo. Ela aumenta a carga dramática de uma cena. É muito importante pois dá vida ao seu vídeo, e pode, por exemplo, ressaltar uma imagem importante. Por último, vêm os ruídos de sala que são os efeitos sonoros. Um bater de porta, a água de um rio passando na margem, os passos de um homem, são todos exemplos de ruídos de sala que são feitos depois que o vídeo está pronto. Esses sons não são gravados na mesma hora da cena, podem ser feitos imediatamente após a gravação ou depois numa sala própria para isso.


OS CODECS
CODEC é um termo que significa COmpression/DECompression. É um algoritmo que diz para o computador como este arquivo foi armazenado e como ele deve ser lido. A imagem em si precisa de muita memória para ser manipulada e o codec veio para diminuir o tamanho do vídeo facilitando o seu transporte.

Existem diversos codecs disponíveis, alguns gratuitos, outros não, mas a maioria é derivada do codec mais utilizado que é o MPEG. Ele se tornou padrão em diversas áreas onde se usa vídeo digital. Arquivos do tipo VCD e SVCD usam o padrão MPEG-1. Já os DVD de filmes que alugamos em locadoras é o MPEG-2. Atualmente, o codec DIVx é largamente usado para arquivos de internet. Este é uma variação do MPEG-4. Um outro codec é o XVID que é uma resposta ao DIVx. A diferença entre um e outro é que para usar o DIVx em seus equipamentos os fabricantes de hardware precisam pagar royalties, enquanto que o XVID é gratuito. Já existem DVD-players que lêem além do MPEG-2, o DIVx.


E PARA ENCERRAR ESTE TÓPICO
Para ilustrar os conhecimentos abordados no tópico Aspectos Tecnológicos da TV, assista ao vídeo extraído do Curso de Extensão “TV na Escola e Os Desafios de Hoje”, onde os depoentes comentam sobre os processos de produção de um vídeo educativo.

Os conceitos vistos acima são muito importantes para o processo de edição de um vídeo. Hoje, com a utilização de Vídeo Digital e o aumento do poder de processamento dos microcomputadores, é possível fazer pequenas edições de vídeo que geram efeitos muito interessantes. Por exemplo, seria possível que diversos grupos de alunos fizessem filmagens diferentes de um mesmo documentário e tais filmagens fossem unificadas utilizando um software como o VirtualDub. Experimente utilizá-lo, ele é gratuito. Outra opção que vem com o sistema operacional Windows XP HomeEdition é o Windows Movie Maker. Por fim, temos o Adobe Premiere, um software comercial muito poderoso para edição de vídeo, que é utilizado por muitos profissionais da área.

Aspectos Tecnológicos da TV - Produção

A FILMAGEM
O roteiro foi preparado, a câmera está pronta e então chegou o grande dia de se começar a filmar. Ótimo, mas antes de ligar a câmera, temos que atentar para alguns detalhes básicos.

O que é uma câmera?


Além da câmera, um outro cuidado que se deve ter é com a Iluminação e o Som. A imagem é tudo, mas é preciso que seja de qualidade para ter possa ter significado para o público. Para garantir esta qualidade é muito importante o uso de uma boa iluminação. Outro item importante em um vídeo é o som. Temos que ter muito cuidado com o tipo de microfone que usaremos para trabalhar nosso vídeo. A seguir abordaremsos estes dois tópicos.


A ILUMINAÇÃO
Existem, basicamente, três fontes de luz fundamentais: a luz principal, a luz secundária ou de enchimento e a Backlight. Muitos trabalhos podem ser feitos apenas com a luz principal sem qualquer problema. Outros, mais sofisticados, precisam de mais fontes. Cada fonte de luz tem uma função específica, dependendo do que se queira fazer. Confira a seguir:




Perceba que todas as fontes luminosas possuem, direta ou indiretamente uma relação de posição com a câmera. Isso é muito importante para se chegar na imagem desejada. Lembre-se que as luzes estão ali para refletir no objeto e sensibilizar a câmera, marcando a imagem.

Veja nas figuras abaixo uma pequena demonstração da importância da iluminação em uma cena.






A CAPTAÇÃO DO SOM
Um outro fator importante quando estiver gravando um vídeo é o som. A grande maioria das câmeras para amadores possui um microfone embutido. Evite ao máximo usar este microfone. Por ser construído para uso em situações muito genéricas, ele capta todo tipo de som, até os indesejáveis.

Na gravação de um diálogo feita com este tipo de microfone é até possível ouvir e entender o que as pessoas estão falando, porém o ruído de toda a sala também é captado, atrapalhando, e muito, a audição. O ventilador ligado, o ar condicionado, alguém andando, são exemplos de sons que não percebemos no nosso dia pois o cérebro consegue inibir este tipo de informação, filtrando o som que chega até ele. Mas os equipamentos não possuem esse “filtro”, então todo o som é captado prejudicando até o entendimento.

Para evitar esses defeitos, pode-se usar microfones externos que se conectam à câmera. Cada um deles tem um tipo de direcionalidade que é a capacidade de registrar o áudio oriundo de diversas direções. A direcionalidade pode ser de dois tipos: omnidirecional (a sensibilidade da captação do som é a mesma em todas as direções) e o unidirecional ou cardióide (a sensibilidade da captação do som é maior quando o som vem da frente do microfone, e é menor quando o som vem de trás e dos lados). Veja a seguir as imagens com os tipos de microfone, sua direcionalidade, e seu uso:







A MARCAÇÃO DOS TAKES
Durante uma gravação, é preciso ter um controle do que foi gravado, do que será gravado, etc. O roteiro, feito na primeira etapa, já vem com as marcações das cenas que devem ser filmadas. Por exemplo, no dia 1 será gravada a cena 20, a cena 23 e a cena 30, pois se passam dentro do mesmo cenário. Para se gravar a cena 20, o diretor decide que irá usar 5 planos diferentes (decididos no roteiro técnico). A gravação de cada plano pode e deve ser feita várias vezes para que se possa depois saber qual foi a que ficou melhor. Cada plano repetido recebe o nome de Take ou tomada.


Fonte: E-Proinfo

sábado, 2 de maio de 2009

Alguns Roteiros

No site Geração Saúde do TV Escola há alguns roteiros super bacanas para produção de vídeos!!!
Basta clicar em Episódios!!!

Aspectos Tecnológicos da TV - Pré - produção

Fazer um vídeo demanda tempo e principalmente dinheiro. Ao longo destes mais de 100 anos de história da imagem em movimento, foram desenvolvidas algumas fases - pré-produção; produção e pós-produção - que ordenam a arte de se construir um vídeo. A seguir daremos uma noção de cada uma:
A pré-produção compreende a elaboração do roteiro (Escaleta, Argumento, Roteiro Literário e Roteiro Técnico) , a análise técnica e a elaboração do cronograma.


ROTEIRO:
Como o próprio nome já diz, é um guia, uma rota a ser seguida. É um mapa que deve estar sempre a mão de quem está fazendo o vídeo durante todo o processo. Esta fase é muito importante pois é a partir dela que se desenrolam todas as outras. Mas lembre-se, este mapa é uma trilha, não um trilho. Durante o caminho podem ocorrer situações que farão você mudar de rumo, tenha apenas cuidado para não perder o seu objetivo. Não vamos entrar a fundo no mérito criativo do roteiro pois foge do escopo do presente trabalho, vamos apenas trabalhar uma iniciação ao tema. Quem tiver interesse no assunto pode consultar os livros da bibliografia: O poder do mito de Bill Moyers e Joseph Campbell; A jornada do escritor de Christopher Vogler; Da criação ao roteiro de Doc Comparato. Por ora vamos seguir o processo passo a passo.


ESCALETA:
Qualquer que seja o vídeo a fazer, ele começa da idéia de alguém. Anote as idéias que tiver numa folha de papel da forma que vierem, não tente filtrar nada. Simplesmente anote. Isto se chama brainstorm. Depois de terminar de gerar estas idéias é que você começa a organizar de maneira lógica o que você anotou e aí sim filtre o que for desnecessário. Arrume estas idéias com poucas palavras, apenas o suficiente para que você se lembre do que você quer escrever. Estes tópicos ordenados recebem o nome de escaleta e serão preenchidos mais adiante.


ARGUMENTO:
Com a escaleta montada, é hora de começar a preencher os espaços da mesma. Neste momento, você escreve o texto como se fosse uma redação do ensino médio. Coloque nela tudo o que você imaginou, fazendo com que um tópico chegue ao outro. Não se preocupe com outras coisas, simplesmente se concentre na descrição da cena que você está imaginando, com tudo dela, cenários, diálogos, ações, etc. e esqueça todo o resto. Este não é o momento de se preocupar com enquadramento de câmeras ou seus movimentos. Esta etapa é mais à frente no roteiro técnico. Quando terminar o argumento, você já terá um bela noção de como ficará o seu video.


ROTEIRO LITERÁRIO:
É o roteiro propriamente dito. Agora que já temos o argumento pronto, o que faremos é formatar o texto de forma que se tenha uma idéia geral de quanto tempo o video final terá. Um dos métodos mais usados é a formatação no padrão master scenes. Basicamente, ele divide o texto do argumento em cenas. O título de cada cena é dado por sua numeração, o nome do local onde ela acontece, se ela acontece dentro de um ambiente fechado (INT) ou fora deste ambiente(EXT), e o horário em que ela acontece (DIA, NOITE, AMANHECER, ETC...). Note que estas definições não fazem parte do argumento. Veja o exemplo:

PRAÇA DA ALIMENTAÇÃO DO SHOPPING / INT / DIA

Abaixo do título da cena, vem a descrição do que acontece na cena. É praticamente idêntico ao texto do argumento. Quando houver diálogos eles devem ser formatados para que a margem esquerda da folha fique sempre, no mínimo, na metade da folha. Isso serve para se ter uma noção de tempo. Desta maneira o seu texto dirá que uma folha terá aproximadamente de um a um minuto e meio de projeção.

Cristiano Flauzino escreve um pequeno texto neste link onde revela todos os detalhes da formatação de um roteiro para video e cinema.

Acesse o link do Geração Saúde, no site do TV Escola, e clique no botão azul em cima e a esquerda " Episódios", e em seguida no botão azul embaixo e a direita “roteiros ilustrados” e leia os roteiros dos programas produzidos.


ROTEIRO TÉCNICO:
Após o roteiro literário pronto, é feito um outro documento que auxiliará na hora da gravação: o roteiro técnico. Nesta fase, é feita a decupagem, ou seja, uma divisão das cenas do roteiro em diversos planos de filmagem. Plano de filmagem nada mais é do que uma proporção do que a câmera vai colocar na tela, tendo como referencia a figura humana. Cada plano tem um nome que varia, um pouco, de autor para autor. A seguir é fornecida uma relação dos enquadramentos de câmera e uma pequena descrição de cada um deles.

GPG - Grande Plano Geral: é um plano de visão totalmente aberto. Sua função básica é descrever o cenário.
PG - Plano Geral: é um plano de visão um pouco mais fechado do que o GPG. Percebe-se as pessoas mas não se consegue reconhecê-las. Sua função básica é posicionar os personagens na cena.
PC - Plano Conjunto: é um plano de visão mais fechado que o PG. Percebe-se a pessoa, ou grupo de pessoas e já é possível reconhecê-las.
PM - Plano Médio:  a altura do quadro fica do tamanho do ator. Percebe-se perfeitamente o que o personagem está fazendo.
PA - Plano Americano: é semelhante ao PM com uma diferença. O enquadramento é acima dos joelhos.
PP - Primeiro Plano: o enquadramento é feito a partir do peito da personagem. Serve principalmente para dar uma noção do estado emocional do personagem.
PPP - Primeiríssimo Plano: o rosto do personagem ocupa toda a tela. Tem forte carga dramática.
PD - Plano Detalhe: como o próprio nome diz, tem a função de mostrar o detalhe de uma cena. Um olho, um relógio, etc.


ANÁLISE TÉCNICA:
De posse do roteiro literário e do roteiro técnico, é feita uma lista, cena por cena, dos materiais que serão necessários para cada uma. Aqui são levantadas basicamente as necessidades de produção para se iniciar a filmagem propriamente dita.


CRONOGRAMA:
Terminada a produção dos documentos anteriores, deve-se planejar agora o QUE e QUANDO será filmado. É feito um calendário para organizar e informar o que será filmado e em que dia.


Fonte: E-Proinfo

Guia de Layout Master Scenes

Hoje em dia, podemos dizer que quase todos os guiões para cinema são escritos no formato americano Master Scenes, que implica uma página de roteiro para cada minuto de filme. Para conseguir esse tempo Pg/Mim, requer um pouco de prática, mas não conseguir alcançá-lo não irá interferir na qualidade do enredo.

Por que usar o Master Scenes? Por que é um sistema simples, muito usado (qualquer pessoa da área de cinema que vê-lo vai saber que é um guião) e permite ao argumentista se concentrar mais no que é o dever dele: contar uma história.

Os argumentistas não-americanos usam uma formatação mais liberal, que permite a indicação de transições e, às vezes, a indicação de planos quando for essencial para o entendimento da cena. Já no Master Scenes, mais rigoroso, o argumentista não pode fazer qualquer tipo de indicação nem ao director, poucas vezes aos actores, nem a qualquer outro técnico da fase de produção. Mas isso é discutível, pois quando num roteiro está escrito: "MARIA brinca com sua aliança de casamento entre os dedos", nenhum director será louco de mostrar essa cena em plano geral! O que ele fará será um enquadramento em close ou mais próximo.

Como regra, corte o máximo possível de indicações técnicas e se concentra ao máximo no enredo do guião. Sempre há algum modo de sugerir algo ao director, fotógrafo, actor, editor e outros da área, sem usar explicitamente um termo técnico... Use o bom senso.


1. Preparando a Folha
Papel:
Tipo Carta (21,59 cm x 27,94cm)
Margens:
Superior: 2,5 cm.
Inferior: entre 2,5 cm a 3 cm;
Margem esquerda: de 3,5 cm a 4 cm
Margem direita de 2,5 cm a 3 cm;
Fonte:
Courier New, tamanho 12 pt. Não use itálicos ou negritos.

2. Cabeçalhos
Alinhamento esquerdo;
Todas em MAIÚSCULO;
Numeração opcional.

3. Descrição da Cena
Alinhamento esquerdo ou justificado;
Uma linha de espaço entre os parágrafos;

4. Diálogo
• Personagem
Recuo esquerdo de 6 a 7cm;
Todas em MAIÚSCULAS.
• Indicação ao actor
Recuo esquerdo 1cm a 2 cm menor que o recuo do Personagem;
Entre parêntesis.
• Diálogo
Recuo esquerdo de 3 cm a 4 cm;
Recuo direito de 1,5 cm a 2,5 cm;
Alinhamento esquerdo ou justificado;
• Outras indicações
Escritas ao lado do nome do personagem, entre parêntesis, usando a mesma formatação;
V.O. = Voice Over (voz)
O.S. = Out of Screen (fora da tela);
CONT = Continuando;
MAIS = usado para indicar que o diálogo foi quebrado pela página.

5. Transições
Alinhamento direito;
Todas em MAIÚSCULO.

6. Capa
Deve conter o título em destaque; o nome do autor, dados do copyright, dados como o endereço, contacto, agente, etc.
Geralmente, a capa é escrita do seguinte modo:
Fontes Courier New 12 pt;
TÍTULO DO GUIÃO quase ao centro da folha, todas em MAIÚSCULA;
Abaixo do título o nome do autor;
Nas últimas linhas dados do Copyright, do autor, do agente e contacto.

7. Segunda Página
Na quarta linha escreva o Título do Guião, centralizado, todas em MAIÚSCULA;
Duas linhas abaixo, com alinhamento esquerdo, todas em maiúscula, escreva FADE IN. Duas linhas abaixo começa o roteiro em si.

8. Última Página
Com a mesma formatação das transições, escreva FADE OUT três linhas após o termino do roteiro;
Três linhas embaixo do FADE OUT escreva FIM ou FINAL, todas em MAIÚSCULA, alinhamento centralizado.

9. Numeração
Em todas as páginas, excepto a capa, no canto superior esquerdo da página;
Fonte normal, 12 pt.

10. Espaçamento
• Espaçamento simples durante os:
Diálogos;
Nomes;
Indicações ao actor;
Descrições das cenas.
• Espaçamento duplo (equivalente a dois Enters) entre os:
Cabeçalhos;
Descrições das cenas;
Transições;
Diálogos.

11. Observações
Não haverá problemas se você usar uma padrão de formatação um pouco diferente -- só um pouco mesmo --. O importante é tornar a leitura o mais fácil e visual possível


Fonte

Linguagem televisiva

Quando se fala em linguagem audiovisual, apresenta-se uma primeira dificuldade: há diferentes tipos de concepções e usos do termo linguagem. Ele tem sido utilizado com várias significações.

Ao se tentar identificar as características da linguagem audiovisual, percebe-se que há várias considerações a esse respeito. Tentaremos esclarecer alguns pontos que a distinguem de outros tipos de linguagem, conscientes de que não há opiniões conclusivas sobre o tema.

Muitos autores identificam a linguagem audiovisual com a verbo-icônica, preferindo até utilizar este termo ao invés daquele. A linguagem verbo-icônica é aquela que se utiliza de palavras e de imagens e se refere aos meios audiovisuais na medida em que estes transmitem sua mensagem através de sons e de imagens. Aqui, as mensagens verbais podem ser sonoras e visuais, assim como as mensagens não-verbais podem ser, igualmente, sonoras e visuais. Estes dois elementos, som e imagem, completam-se. E tal interação constitui a própria mensagem.

Mas há os que recorrem a uma diferente definição de linguagem audiovisual, identificando-a com a gramática do sistema de codificação dos audiovisuais. Tratam-se, aqui, dos planos, seqüências e movimentos de câmera. Assim, o fundamento da linguagem audiovisual seria a combinação de planos e seqüências que formam os programas, os tipos de plano (ex.: geral, primeiro, médio), os movimentos de câmera (ex.: panorâmica, close-up) etc. Embora seja importante também ter conhecimento de tais elementos, deve-se ter em mente que a linguagem audiovisual vai mais além da sua gramática, mesmo porque esta é mutável no tempo, novas técnicas surgem de tempos em tempos.

Outro fator importante ao entendimento da linguagem da televisão é a construção da capacidade de analisá-la, sobretudo porque, como educadores, estaremos apreciando criticamente as mensagens televisivas com nossos alunos. Esta é a construção do “olhar crítico”. Especialmente no mundo em que vivemos, onde as mensagens são veiculadas com grande rapidez, é preciso saber ter o grau de atenção suficiente para criticá-las.


Resumimos, a seguir, as considerações mais comuns a respeito da linguagem audiovisual:
É uma linguagem própria dos meios audiovisuais (cinema, televisão, vídeo etc);
- Não copia a realidade, mas a re-cria;
- Tal re-criação se dá de forma fragmentada, em partes que não seguem necessariamente uma seqüência linear na apresentação, mas conformam um todo ao final;
- Hiperestimula os sentidos, modificando as experiências perceptivas;
- Pode modificar processos mentais, principalmente os relacionados à capacidade de associação;
- É manifestação da cultura mosaico (desordenada, em oposição à organização da cultura tradicional);
- Imediatismo.

Fonte: E-Proinfo

A Televisão e o Vídeo na Sala de Aula

O uso didático da televisão e do vídeo teve a sua raiz no cinema. Pouco tempo após a sua invenção, filmes cinematográficos educativos começaram a ser usados nas salas de aula. Antes disso, porém, o que havia à disposição de professores e alunos eram imagens fixas projetadas por meio de aparelhos como as então denominadas “lanternas mágicas”.

No início, o cinema era geralmente de caráter documental e esse tipo de cinema se confundia com o cinema educativo, fora do Brasil, segundo Pfromm Netto. No Brasil, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná realizam as primeiras filmagens nessa modalidade. Os filmes realizados então eram de curtíssima duração e exibidos em lugares improvisados. Data de 1910 o primeiro filme de caráter expressamente educativo e já em 1929 foi instituído o uso do cinema educativo em todas as escolas primárias do Rio de Janeiro, quando o acervo nacional já contava com vários títulos produzidos dentro e fora do País.

O uso do cinema educativo para o ensino médico logo provou ter grande importância. Franceses e Alemães foram os pioneiros do cinema científico. A microcinematografia e a condensação artificial do tempo permitiram que muitos fenômenos biológicos e o comportamento de microorganismos pudessem ser cuidadosamente observados. Filmagens no interior do corpo humano foram possíveis graças ao desenvolvimento da endocinematografia e logo várias especialidades médicas se beneficiaram da nova possibilidade.

A separação de duas irmãs xipófagas, em 1907, foi registrada no primeiro filme médico brasileiro. Desde então, várias instituições como o Instituto Biológico e o Instituto Nacional de Cinema Educativo, fundado em 1936 por Roquette Pinto, ofereceram notáveis contribuições para o cinema médico brasileiro.

Nasceram no País várias filmotecas e o cinema educativo proliferou no Brasil até os anos 70, quando a televisão começou a se expandir pelo território nacional. A partir de então, abriu-se um novo canal para divulgação de materiais educativos audiovisuais, e o cinema educativo foi pouco a pouco perecendo, junto com as principais instituições que lhe deram apoio, como o Instituto Nacional de Cinema Educativo, por exemplo.

Vídeo e televisão estão estreitamente vinculados, seja por razões econômicas e mercadológicas, como ressalta Pretto, seja pela própria natureza desses meios de comunicação. O vídeo tem alta penetração social, uma vez que seu custo tem se reduzido ao longo dos anos e conta com um mercado em expansão, a despeito do surgimento de novas e mais sofisticadas tecnologias do som e da imagem. E a televisão é ainda considerada o mais popular meio de comunicação social. Vídeo e televisão contam com diferentes possibilidades de uso.


O potencial do uso do vídeo e da TV

Há décadas, a televisão tem sido utilizada com finalidades educacionais, suplantando o rádio. Vários autores confirmam as suas potencialidades para tornar o ensino mais eficaz (Moore & Kearsley; Valmont; Netto; Wetzel). O desenvolvimento rápido das tecnologias da comunicação e da informação tem colocado à disposição da televisão novas possibilidades, oferecendo-lhe mais oportunidades do que propriamente ameaças. É o caso das redes de satélites, por exemplo, e da tecnologia digital. Como conseqüência, a televisão tem se tornado um meio bastante popular e de alcance ampliado através dos anos, pela sua característica de se conjugar a novas tecnologias.


Fonte: E-Proinfo

Televisão e Escola

É preciso estar criticamente atento a todo e qualquer conteúdo veiculado pelos meios de comunicação de massa (MCM). Consideramos que aqui está um papel fundamental da escola em relação a esses meios de comunicação: a de formar cidadãos críticos, capazes de reelaborar o mundo de informações advindas dos MCM, aqui figurando principalmente a televisão.

Televisão e escola têm aproximações, embora seus papéis na sociedade sejam distintos. A televisão detém um grande potencial de comunicação, razão pela qual se torna um lugar do saber. A escola não centraliza mais a transmissão do saber e da cultura como fazia no passado, mas, por outro lado, cabe a ela a formação integral do aluno, na infância e na adolescência.

A experiência televisiva faz parte do cotidiano de professores e alunos. A escola, como lugar onde não só se deve reproduzir conhecimentos, mas também desenvolver a competência para produzi-los, tem, com base nesta premissa, motivos mais que suficientes para tratar essa experiência criticamente, enriquecendo seu próprio fazer pedagógico.

A civilização atual vive mergulhada no ritmo alucinante do mundo das imagens. O homem moderno, em constante contato com os meios de comunicação de massa, percebe que ele não está sozinho, onde quer que ele se encontre, aonde quer que ele vá, pois se envolve comumente em algum processo mediatizado de comunicação.


A Televisão e a Sociedade Pós-Moderna

Os jovens de hoje estabelecem íntimo e envolvente contato com a televisão e com o vídeo, fruto de sua vivência doméstica. Há um lugar, entretanto, em que tal contato deveria se estabelecer de maneira objetiva e inteligente, mediante o devido preparo para isso: a escola. Há carência da integração do uso desses meios em projetos pedagógicos consistentes, em integração com o currículo escolar. Curiosamente, muitas vezes não se tem tal preocupação, pois se confia no modo corrente de utilização desses meios, tal como se dá fora da escola. Eis aqui um grande equívoco, com os riscos de desvirtuar a natureza dos próprios meios e também prejudicar o trabalho pedagógico em prejuízo do aluno.

A nova escola deve, portanto, ultrapassar o costume de utilizar a televisão como mera instrumentalidade, o que reduz as possibilidades de sua utilização como verdadeiro recurso didático-pedagógico. Para tanto, é preciso conhecer a televisão em seus próprios fundamentos.


Alunos e professores como autores

Comumente, o que se vê é a utilização da televisão e do vídeo sem muita propriedade, em ilustrações de aulas tradicionais, ou como modismo, fazendo parte de práticas pedagógicas arcaicas, assim revestidas de pseudo-atualidade.

E qual o papel do professor no desenvolvimento de uma nova prática de construção do saber? Uma vez que o professor queira uma escola comprometida com o seu tempo, deve o professor deixar de trabalhar para o fomento de práticas escolares baseadas na memorização, sobretudo. Deve ser ele o mediador de um processo que leve o aluno ao uso pleno de sua capacidade criativa. Assim, então, deixará o professor de ser mero repassador de informações.

Fonte: E-Proinfo

A televisão como vitrine

A televisão já nasceu comercial. Inicialmente, as primeiras transmissões tratavam de vender aparelhos de TV. Depois, a publicidade de toda sorte de produtos tomou conta da programação que servia como pretexto para os próprios comerciais. Sempre foi a publicidade o sustentáculo da televisão comercial. Muito orientado ao consumo, o conteúdo da programação televisiva trata geralmente de veicular visões estereotipadas da realidade, numa linguagem acessível. Geralmente pouco se pondera sobre os efeitos psicológicos da publicidade ostensiva presente na programação da televisão e também sobre as implicações cognitivas e afetivas da superestimulação sensorial provocada pelas imagens. Assiste-se a ela indiscriminadamente, mais acreditando-se nas mensagens veiculadas do que duvidando delas.

Quem assiste à televisão, dada a rapidez da troca das imagens, pouco percebe o trabalho de edição que há por trás da produção das mensagens veiculadas. Há, aqui, o processo de re-criação da realidade, segundo a lógica das respectivas interpretações. Entretanto, as imagens passam por fatos objetivos, aos quais não caberia contestar. A simulação, portanto, toma ares de verdade absoluta.

A TV é comumente identificada como reforçadora do status quo, que, por sua vez, veicula a ideologia da classe dominante. O receptor é considerado passivo, impotente diante da força desta imposição ideológica. A TV, vista como o próprio espaço da cultura de massa, obedece à racionalidade técnica. E essa cultura de massa não se liga a um único estrato da estrutura social. Ela é fruto da sociedade industrial. Impregnado-a como um todo.

Há necessidade portanto, de promover debates e reflexões sobre a importância dos meios de comunicação na vida do cidadão. Isto porque a televisão deve ser considerada como espaço democrático, a serviço de uma pauta cidadã.

Fonte: E-Proinfo

A Televisão


A televisão é hoje o meio de comunicação de massa (MCM) de maior inserção social. Assistí-la é quase de graça. O televisor, em termos de bem de consumo, é um dos aparelhos eletrônicos a que se tem mais fácil acesso, graças ao barateamento dos custos ocasionado pela produção industrial em larga escala. Muito já se comentou sobre as casas nas favelas e em outros lugares de baixa renda onde há carência de tudo – até da comida – mas onde se encontra sempre um aparelho de TV - e em cores.

Tão comum no nosso cotidiano é o ato de assistir à televisão que resulta praticamente inimaginável viver sem ela. O acúmulo de horas passadas em frente à tela é grande para todos os segmentos da população.

Para a maioria dos brasileiros, sobretudo para os mais economicamente desfavorecidos, a televisão se constitui na única fonte de informação. Some-se a isto o fato de ser ela também o meio de preencher as horas de lazer, de forma barata e prática.

Fonte: E-Proinfo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Como a televisão e as mídias se comunicam

José Manuel Moran

Por que será que os meios de comunicação cativam e provocam tanto impacto?

Uma primeira é, sem dúvida, começar pelo sensorial, pelo afetivo, pelo que toca o aluno antes de falar de idéias, de conceitos, de teorias. Partir do concreto para o
abstrato, do imediato para o mediato, da ação para a reflexão, da produção para a teorização.

O vídeo explora também e, basicamente, o ver, o visualizar, o ter diante de nós as situações, as pessoas, os cenários, as cores, as relações espaciais (próximodistante, alto-baixo, direita-esquerda, grande-pequeno, equilíbrio-desequilíbrio).
Desenvolve um ver entrecortado - com múltiplos recortes da realidade - através dos planos - e muitos ritmos visuais: imagens estáticas e dinâmicas, câmera fixa ou em movimento, uma ou várias câmeras, personagens quietos ou movendo-se, imagens ao vivo, gravadas ou criadas no computador. Um ver que está situado no presente, mas que o interliga não linearmente com o passado e com o futuro.

Pense num vídeo visto recentemente por você. Preste atenção à narração nele existente. Certamente que nesse vídeo, como na maioria deles, é possível identificar que o ver está apoiando o falar, o narrar, o contar estórias. A fala aproxima o vídeo do cotidiano, de como as pessoas se comunicam habitualmente. Os diálogos expressam a fala coloquial, enquanto o narrador (normalmente em off) "costura" as cenas, as outras falas, dentro da norma culta, orientando a significação do conjunto. A narração falada ancora todo o processo de significação.

A música e os efeitos sonoros servem como evocação, lembrança (de situações passadas), de ilustração - associados a personagens do presente, como nas telenovelas- e de criação de expectativas, antecipando reações e informações.

O vídeo é também escrita. Os textos, legendas, citações aparecem cada vez mais na tela, principalmente nas traduções (legendas de filmes) e nas entrevistas com estrangeiros. A escrita na tela hoje é fácil através do gerador de caracteres, que permite colocar na tela textos coloridos, de vários tamanhos e com rapidez, fixando ainda mais a significação atribuída à narrativa falada.

A organização da narrativa televisiva, principalmente a visual, não se baseia somente - e muitas vezes, não primo rdialmente - na lógica convencional, na coerência interna, na relação causa-efeito, no princípio de não-contradição, mas
numa lógica mais intuitiva, mais conectiva. Imagens, palavras e música vão se agrupando segundo critérios menos rígidos, mais livres e subjetivos dos produtores que pressupõem um tipo de lógica da recepção também menos racional, mais intuitiva.

A imagem na televisão, cinema e vídeo é sensorial, sensacional e tem um grande componente subliminar, isto é, passa muitas informações que não captamos claramente.

O olho nunca consegue captar toda a informação. Então escolhe um nível que dê conta do essencial, do suficiente para dar um sentido ao caos, de organizar a multiplicidade de sensações e dados. Foca a atenção, em alguns aspectos analógicos, nas figuras destacadas, nas que se movem e com isso conseguimos acompanhar uma estória. Mas deixamos de lado, inúmeras informações visuais e sensoriais, que não são percebidas conscientemente. A força da linguagem audiovisual está em que consegue dizer muito mais do que captamos, chegar simultaneamente por muitos mais caminhos do que conscientemente percebemos e encontra dentro de nós uma repercussão em imagens básicas, centrais, simbólicas, arquetípicas, com as quais nos identificamos ou que se relacionam conosco de alguma forma.

É uma comunicação poderosa, como nunca antes a tivemos na história da humanidade e as novas tecnologias de multimídia e realidade virtual só estão tornando esse processo de simulação muito mais exacerbado, explorando-o até limites inimagináveis.

TV e vídeo são sensoriais, visuais, linguagem falada, linguagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas, não separadas. Daí a sua força. Nos atingem por todos os sentidos e de todas as maneiras. Televisão e vídeo nos seduzem, informam, entretêm, projetam em outras realidades (no imaginário) em outros tempos e espaços.

Televisão e vídeo combinam a comunicação sensorial-sinestésica, com a audiovisual, a intuição com a lógica, a emoção com a razão. Integração que começa pelo sensorial, pelo emocional e pelo intuitivo, para atingir posteriormente o racional.

TV e vídeo encontraram a fórmula de comunicar-se com a maioria das pessoas, tanto crianças como adultas. O ritmo torna-se cada vez mais alucinante (por exemplo nos videoclipes). A lógica da narrativa não se baseia necessariamente na causalidade, mas na contigüidade, em colocar um pedaço de imagem ou estória ao lado da outra. A sua retórica conseguiu encontrar fórmulas que se adaptam perfeitamente à sensibilidade do homem contemporâneo. Usam uma linguagem concreta, plástica, de cenas curtas, com pouca informação de cada vez, com ritmo acelerado e contrastado, multiplicando os pontos de vista, os cenários, os personagens, os sons, as imagens, os ângulos, os efeitos.

Os temas são pouco aprofundados, explorando os ângulos emocionais, contraditórios, inesperados. Passam a informação em pequenas doses (compacto), organizadas em forma de mosaico (rápidas sínteses de cada assunto) e com apresentação variada (cada tema dura pouco e é ilustrado).

Se parar e refletir verá que as mensagens dos meios audiovisuais exigem pouco esforço e envolvimento do receptor. Este tem cada vez mais opções, mais possibilidades de escolha (controle remoto, canais por satélite, por cabo, escolha de filmes em vídeo). Começamos a ter maior possibilidade de interação: televisão bidirecional, jogos interativos, navegar pelas imagens e por bancos de dados da Internet; acessar à Internet pela televisão e realizar inúmeros serviços virtuais na tela: compras, comunicação, aulas. A possibilidade de escolha e participação e a liberdade de canal e acesso facilitam a relação do espectador com os meios.

As linguagens da TV e do vídeo respondem à sensibilidade dos jovens e da grande maioria da população adulta. São dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. O jovem lê o que pode visualizar, precisa ver para ompreender. Toda a sua fala é mais sensorial-visual do que racional e abstrata. Lê, vendo.

A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a afetividade com um papel de mediação primordial no mundo, enquanto que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a organização, a abstração e a análise lógica.

Um dos critérios principais de contar é a contigüidade, a justaposição por algum tipo de analogia, de associação por semelhança ou por oposição, por contraste. Ao colocar pedaços de imagens ou cenas juntas, em seqüência, criam-se novas relações, novos significados, que antes não existiam e que passam a ser considerados aceitáveis, "naturais", "normais". Colocando, por exemplo, várias matérias em seqüência, num mesmo bloco e em dias sucessivos - como se fossem capítulos de uma novela -, sobre o assassinato de uma atriz, o de várias crianças e outros crimes semelhantes, acontecidos no Brasil e em outros países, multiplica-se a reação de indignação da população, o seu desejo de vingança. Isto favorece os defensores da pena de morte; o que não estava explícito em cada reportagem e nem tal vez fosse a intenção dos produtores.

A televisão estabelece uma conexão aparentemente lógica entre mostrar e demonstrar. Mostrar é igual a demonstrar, a provar, a comprovar. A força da imagem é tão evidente que se torna difícil não fazer essa associação comprobatória ("se uma imagem me impressiona, é verdadeira"). Também é muito comum a lógica de generalizar a partir de uma situação concreta. Do individual, tendemos ao geral. Uma situação isolada converte-se em situação paradigmática, padrão. A televisão, principalmente, transita continuamente entre as situações concretas e a generalização. Mostra dois ou três escândalos na família real inglesa e tira conclusões sobre o valor e a ética da realeza como um todo.

Ao mesmo tempo, o não mostrar equivale a não existir, a não acontecer. O que não se vê, perde existência. Um fato mostrado com imagem e palavra tem mais força que se somente é mostrado com palavra. Muitas situações importantes do cotidiano perdem força, por não ter sido valorizadas pela imagem-palavra televisiva.

Nem sempre se percebe, mas o vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a um contexto de lazer, de entretenimento, que passa imperceptivelmente para a sala de aula. Vídeo, na cabeça dos alunos, significa descanso e não "aula", o que modifica a postura, as expectativas em relação ao seu uso. Precisamos aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os assuntos do nosso planejamento pedagógico. Mas ao mesmo tempo, saber que necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicas da aula.

A eficácia de comunicação dos meios eletrônicos, em particular da televisão, se deve também à capacidade de articulação, de superposição e de combinação de linguagens diferentes - imagens, falas, música, escrita - com uma narrativa fluida, uma lógica pouco delimitada, gêneros, conteúdos e limites éticos pouco precisos, o que lhe permite alto grau de entropia, de flexibilidade, de adaptação à concorrência, a novas situações. Num olhar distante tudo parece igual, tudo se repete, tudo se copia; ao olhar mais de perto, por trás da fórmula conhecida, há mil nuances, detalhes que introduzem variantes adaptadoras e diferenciadoras.

A força da linguagem audiovisual está em que consegue dizer muito mais do que captamos, chegar simultaneamente por muitos mais caminhos do que conscientemente percebemos e encontra dentro de nós uma repercussão em imagens básicas, centrais, simbólicas, arquetípicas, com as quais nos identificamos ou que se relacionam conosco de alguma forma.

Fonte: E-Proinfo