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sábado, 16 de maio de 2009

A TV digital e a integração das tecnologias na educação

José Manuel Moran
Professor de novas tecnologias na USP. Diretor Acadêmico da Faculdade Sumaré-SP.
Texto publicado no boletim 23 sobre Mídias Digitais do Programa Salto para o Futuro. TV Escola - SEED, novembro, 2007.

Introdução
Estamos caminhando para uma nova fase de convergência e integração das mídias: Tudo começa a integrar-se com tudo, a falar com tudo e com todos. Tudo pode ser divulgado em alguma mídia. Todos podem ser produtores e consumidores de informação.

A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados. O mundo físico se reproduz em plataformas digitais e todos os serviços começam a poder ser realizados física ou virtualmente. Podemos pagar contas numa agência de banco ou na Internet, fazer compras numa loja ou através de lojas virtuais. Há um diálogo crescente, muito novo e rico entre o mundo físico e o chamado mundo digital, com suas múltiplas atividades de pesquisa, lazer, de relacionamento e outros serviços e possibilidades de integração entre ambos, que impactam profundamente a educação escolar e as formas de ensinar e aprender a que estamos habituados.

As mudanças que estão acontecendo na sociedade, mediadas pelas tecnologias em rede, são de tal magnitude que implicam – a médio prazo - em reinventar a educação como um todo, em todos os níveis e de todas as formas.


A TV digital e a integração das tecnologias
As tecnologias começaram e se mantiveram separadas – computador, celular, Internet, mp3, câmera digital e agora a TV – e agora caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valor. O computador fica cada vez mais potente e menor, ligado à internet banda larga, a redes sem fio, à câmera digital, ao celular, aos tocadores de música. O telefone celular é a tecnologia que atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto e vídeo digitais, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços. A televisão é a última das grandes mídias a tornar-se digital. E agora se insere num mundo de tecnologias já digitais, já mais interativas e integradas e precisa correr atrás para recuperar o espaço perdido, principalmente o das múltiplas escolhas na hora e lugar que as pessoas assim o quiserem.

Com a chegada da TV digital a pressão pela integração tecnológica será muito maior. Infelizmente, ainda demorará a acontecer, porque estamos numa fase de transição do modelo industrial para a sociedade do conhecimento, ainda presos a modelos de empresas de telecomunicações e audiovisuais cartoriais, que defendem áreas já conquistadas, campos de atuação exclusivos e conceitos de propriedade intelectual, que precisam ser revistos com urgência.

Especificamente no Brasil, teremos a TV digital dos grandes eventos ao vivo, como Olimpíadas, passadas em alta definição, com imagem fantástica e inúmeros recursos de som. Teremos canais que transmitirão também em alta definição filmes e novelas para um público mais exigente e com maior poder aquisitivo. Teremos também na TV aberta muitos canais de TV digital de qualidade boa, mas sem ser de alta definição, que passarão noticiários vinte e quatro horas, esporte, vendas, como hoje acontece na TV por assinatura. Serão canais com alguma interação para compras, votações de opinião, etc. E teremos uma outra TV digital on-demand , a la carte , isto é escolheremos em cada momento entre um menu muito diversificado de programas prontos aqueles que nos interessam mais. Uns serão gratuitos, pagos por publicidade, e outros pagos diretamente pelo consumidor.

No começo, a TV digital oferecerá mais canais, mais oferta de conteúdo e alguma interação: escolhas básicas, simples sem muitos recursos complexos. As emissoras tentarão controlar o conteúdo ofertado, que é o mais caro e o que as pessoas mais procuram, mas haverá simultaneamente muitos grupos oferecendo formas novas de produção e divulgação desse conteúdo, ampliando o número de usuários-produtores, como começa a acontecer agora na Internet.

A rapidez da evolução dos serviços na Internet e no celular, com muitas formas de navegação, escolhas e interação obrigará à TV a ser muito mais participativa, a oferecer formas de participação mais abrangentes, a médio prazo, para não perder mercado.


Aplicações da TV digital na educação
Que conseqüências terá a passagem da TV convencional para a digital e a integração com as outras mídias na educação?.

A tecnologia digital baixa custos, a médio e longo prazo. Na educação, teremos muitos canais e recursos para acessar conteúdos digitais de cursos e realizar debates com especialistas e entre alunos. Será fácil também a orientação de pesquisas, de projetos e mostrar (apresentar, disponibilizar) os resultados. Poderemos produzir belas aulas e deixa-las disponíveis para os alunos acessa-las no ritmo que quiserem e no horário que acharem conveniente, com qualidade melhor do que a atualmente conseguida na Internet. Haverá mais realismo na interação a distância, nos programas de comunicação a distância, isto é conseguiremos, mesmo fisicamente longe, ter a sensação de estarmos juntos, de quase tocar-nos fisicamente.

Se estivermos viajando poderemos acessar um canal específico e interagir com os colegas e alunos através do celular ou de um computador portátil.

A TV digital poderá oferecer muitas mais oportunidades de os alunos serem produtores de conteúdos multimídia, como acontece hoje na Internet com o site YouTube: qualquer pessoa pode divulgar um vídeo feito com câmera digital ou celular. Os usuários avaliam o filme pela quantidade de acessos e pelo número de estrelas atribuído. Quando melhor avaliado um vídeo, mais aparece para o público ou na pesquisa do site. A tv digital pode oferecer com mais qualidade a exibição dessas produções feitas pelos usuários e acrescentar recursos de pesquisa e navegação fáceis e hiper-realistas.

Poderemos ter salas de aula abertas para cada grupo, turma, universidade e recriar nelas todo o potencial da comunicação presencial, a distância, mas conectados.


Problemas que enfrentamos com as mídias digitais
O problema do Brasil não é tecnológico, mas de desigualdade estrutural. A interatividade tem muito a ver com poder de compra, com educação de qualidade, com cultura empreendedora. A grande maioria das pessoas depende do modelo passivo de uma TV que dá tudo pronto, aparentemente de graça. Esse modelo fez sucesso. A interatividade pressupõe uma atitude de vida muito mais ativa, investigativa, inovadora.

Sem educação de qualidade, as pessoas têm menos poder de fazer crítica, de realizarem escolhas mais abrangentes. E nossa educação ainda é muito precária. A TV pode ser utilizada de forma muito rica e participativa com a digitalização e integração das mídias, mas sem uma melhoria efetiva na educação e nas condições econômicas correspondentes, a TV continuará ditando o lazer das pessoas, oferecendo mais oportunidades de concorrer a prêmios, de fazer compras - o que convenhamos não é um grande ganho em relação à TV atual.

As tecnologias digitais não atuam no vazio. Elas são utilizadas dentro de contextos educacionais diferentes. Grandes grupos educacionais privados pensam nelas para baratear custos, ganhar escala (aulas para mais alunos, por satélite, por exemplo); vêem a educação como investimento, como negócio e buscam utilizar as tecnologias digitais para conseguir o máximo lucro com a mínima despesa. De um lado introduzem modelos altamente complexos e sofisticados de tele-aulas, de ambientes virtuais com conteúdos disponibilizados e formas de avaliação comuns e simples.

São modelos para grandes grupos, para países inteiros, oferecidos de modo uniforme para todos, com algum apoio de instituições locais. São os modelos oferecidos pelas mega-universidades que estão se consolidando agora, que vêem na TV digital uma forma ideal de realizar este modelo massivo.

De outro lado teremos as instituições que oferecerão propostas educacionais mediadas pelas tecnologias digitais para grupos menores, com mais interação, focadas na aprendizagem, no aluno, em criação de grupos de pesquisa, de projetos e aprendizagem colaborativa.

Entre estes dois modelos extremos, haverá diversas formas de oferecimento de cursos semi-presenciais e a distância, todos mediados por tecnologias digitais simples e mais sofisticadas, com mais ou menos interação. Mas a mediação de tecnologias digitais daqui em diante será comum a todos, pela concorrência, necessidade de adaptação às novas formas de vida nas cidades, pela pressão para diminuir custos e atender aos alunos onde eles estiverem.

Outro fator complicador é o ritmo lento, complexo e descontínuo da gestão pública, com recursos, mas dificuldade na implementação, na continuidade das políticas, sem falar na corrupção, que diminui o impacto dos recursos na ponta, na escola.

As tecnologias dependem também de como cada um, professores, alunos e gestores as utilizam: em contextos e encontros pedagógicos motivadores ampliam a curiosidade, a motivação, a pesquisa, a interação. As tecnologias em contextos e encontros pedagógicos acomodados, rotineiros aumentam a previsibilidade, o desencanto, a banalização da aprendizagem, o desinteresse.


Conclusão
As tecnologias evoluem muito mais rapidamente do que a cultura. A cultura implica em padrões, repetição, consolidação. A cultura educacional, também. As tecnologias permitem mudanças profundas já hoje que praticamente permanecem inexploradas pela inércia da cultura tradicional, pelo medo, pelos valores consolidados. Por isso sempre haverá um distanciamento entre as possibilidades e a realidade. O ser humano avança com inúmeras contradições, muito mais devagar que os costumes, hábitos, valores. Intelectualmente também avançamos muito mais do que nas práticas. Há sempre um distanciamento grande entre o desejo e a ação. Apesar de tudo, está se construindo uma outra sociedade, que em uma ou duas décadas será muito diferente da que vivemos até agora.

Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, interessantes, entusiasmadas, abertas e confiáveis, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele sempre saímos enriquecidos. E isso não depende só de tecnologias, mas programas estruturais que valorizem os profissionais na formação e no exercício efetivo da profissão, com salários e condições dignas, onde eles se sintam importantes. As tecnologias são uma parte de um processo muito mais rico e complexo que é gostar de aprender e de ajudar a outros que aprendam numa sociedade em profunda transformação.


Referências bibliográficas do autor
MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá . Campinas: Papirus, 2007.
___________________. Desafios na comunicação pessoal . 3ª ed. revista. São Paulo: Paulinas, 2007. 





Fonte: http://www.eca.usp.br/prof/moran/digital.htm

domingo, 3 de maio de 2009

Especial TV Digital

Referências


LIVROS e ARTIGOS

"Distance Education" de Moore & Kearsley;

"Creating a Web-based Course for Undergraduate Pre-Education Students" de William J. Valmont;

"Mídia Educativa, Treinamento e Educação a Distância: Quase um manifesto" de Samuel Pfromm Netto;

"Manual de Vídeo" de Rudi Santos

"O Poder do Mito" de Bill Moyers e Joseph Campbell;

"A Jornada do Escritor" de Christopher Vogler;

"Da Criação ao Roteiro" de Doc Comparato;

"GUIA BÁSICO PARA PRODUÇÃO DE UM FILME DIGITAL" de Peter Broderick, Mark Stolaroff e Tara Veneruso, publicado na revista FilmMaker.


SITES

"A TV Digital interativa no espaço educacional" de SERGIO FERREIRA DO AMARAL e DANIEL MOUTINHO PACATA
(http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2003/ju229pg2b.html)

"Adolescentes são curadores da Mostra VILATIVA"
(http://www.midiativa.org.br/index.php/midiativa/content/view/full/3385)

Dicas Técnicas sobre operação com videos

Dicas sobre as etapas de produção de um filme

Endereço eletrônico da Associação Brasileira de Cinematografia

TV digital amplia alternativas de inclusão social

18/01/2006
Paulo Franco
Projeto Brasil

Educação à distância deve ganhar agilidade

No ar desde 1996, a "TV Escola" do Ministério da Educação dará um salto de qualidade com a implantação da TV digital no Brasil. Com o novo sistema, o sinal digitalizado vai acabar com os chiados e fantasmas na imagem, além dos ruídos no áudio e permitir um alcance muito maior do que o atual. Outra vantagem será a utilização da interatividade para colher dados em tempo real, eliminando assim a necessidade de sensos para dimensionar e solucionar determinados problemas.

Em um país do tamanho do Brasil, a comunicação TELESPECTADOR - EMISSORA torna-se essencial para a avaliar a resposta do professor e aluno, para assim desenvolver soluções flexíveis e descentralizadas que respondam a demandas específicas ou regionais. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 45 mil escolas públicas de todo o Brasil recebem o sinal da TV Escola. Esse número representa um potencial de alcance de cerca de 29,5 milhões de alunos e 1,2 milhão de professores.

A TV Escola atende em grande parte a inclusão social, um dos principais objetivos do decreto presidencial 4.901, que institui o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Dentre as soluções desenvolvidas por pesquisadores nacionais está um software que permite ao Ministério da Educação manter um banco de imagens em um servidor acessível aos professores em qualquer parte do Brasil. Para acessar essas informações, o educador solicita a liberação do sinal e o conteúdo em um determinado horário para complementar o ensino em sala de aula.

A TV Escola é um canal da Secretaria de Educação a Distância, do Ministério da Educação, que tem como objetivos principais o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e o aperfeiçoamento dos professores da Educação Básica. Além de séries e documentários nacionais e internacionais relacionados aos currículos escolares, a TV também produz conteúdo e transmite programas sobre saúde, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, cidadania e cultura.

Leia abaixo a avaliação do MEC sobre a introdução da TV Escola na nova tecnologia:

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
TV ESCOLA NO SBTVD
A TV ESCOLA

A TV Escola é um canal da Secretaria de Educação a Distância, do Ministério da Educação, que tem como objetivos principais o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e o aperfeiçoamento dos professores da Educação Básica.

No ar desde 1996, a TV Escola transmite séries e documentários diretamente relacionados aos currículos escolares do Ensino Infantil, Fundamental e Médio, contemplando áreas como Língua Portuguesa, Matemática, Ética, História, Sociologia, Pluralidade Cultural, entre tantas outras. Ou seja, a TV Escola diferencia-se das televisões educativas em geral por ter um foco específico na escola e seus atores: alunos, professores e gestores.

Produções próprias e realizações dos mais renomados produtores nacionais e internacionais (Channel 4 Learning, BBC, Discovery, National Film Board of Canada, entre muitos outros) fazem da TV Escola um canal respeitado pelo elevado padrão ético, estético, educacional e cultural de sua grade de programas.
Aos fins de semana e feriados, a TV Escola abre as suas portas para toda a comunidade, transmitindo a faixa Escola Aberta, que busca alcançar o público em geral, com programas sobre saúde, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, cidadania e cultura.

ALCANCE DA TV ESCOLA
De acordo com o censo de 2004 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 45 mil escolas públicas de todo o Brasil recebem o sinal da TV Escola. Esse número representa um potencial de alcance de cerca de 29,5 milhões de alunos e 1,2 milhão de professores que recebem diariamente o sinal da TV Escola.

Além disso, será enviado, em fevereiro, aparelhos de DVD e uma caixa com mais de 160 horas de produções da TV Escola, em mídia DVD, a 50 mil escolas públicas. Esse projeto, chamado de DVD Escola, tem como objetivo fazer com que os programas da TV Escola cheguem às escolas que não possuem o sinal.

Mesmo sendo um canal dedicado à educação, o caráter cultural da TV Escola está presente em sua programação. Dessa forma, ONGs, bibliotecas, hospitais, presídios e diversas associações e grupos, além de cidadãos brasileiros interessados em seu aprimoramento utilizam a TV Escola. A qualidade da programação faz com que a TV Escola seja exibida também na Sky (canal 27), Directv (237) e Tecsat (4), ampliando, assim, o público alcançado.

PRINCIPAIS DESAFIOS DA TV ESCOLA
Três são as principais dificuldades da TV Escola. A primeira é a baixa qualidade e robustez do sinal analógico, que chega em muitas regiões do País com problemas de áudio e imagem.

A segunda é o fato de os equipamentos distribuídos pelo MEC já estarem com 10 anos de uso. O custo de manutenção das antenas dificulta a participação efetiva das escolas no programa. Além do mais, os aparelhos de televisão de 20 polegadas distribuídos em 2006 não mais atendem aos padrões atuais propostos à sociedade. Diariamente chegam ao MEC solicitações de escolas, prefeituras e estados - algumas por meio de parlamentares - no sentido de renovação dos equipamentos da TV Escola.

Na última avaliação externa realizada, os professores e diretores pesquisados apontaram como problemas da TV Escola questões relativas à qualidade de imagem e som e à deterioração dos equipamentos. Todavia, o desejo de mais aparelhos de televisão por escola e a disponibilidade de 95% dos professores para fazer um curso de capacitação no uso da TV e vídeo indicam que os educadores reconhecem o potencial pedagógico do canal do MEC e estão predispostos à maior e melhor utilização da TV Escola.

A terceira dificuldade diz respeito exatamente à questão da avaliação do programa. No Censo Escolar, há perguntas sobre os equipamentos, mas faltam levantamentos sobre qualidade do uso. Esporadicamente, são realizadas avaliações externas amostrais, mas o custo é elevado e a operacionalização difícil, dada a abrangência da rede educacional. Com a TV Digital Interativa, o MEC poderá colher dados em tempo real, disseminar resultados e aprimorar o programa.

Por isso, a TV Digital aberta e gratuita representa uma oportunidade ímpar na resolução de alguns problemas estruturais da TV Escola, além de apontar para outras possibilidades exclusivas do meio, entre elas, a interatividade.

A TV ESCOLA ANTECIPA-SE À TV DIGITAL
A equipe de profissionais da TV Escola está consciente de que, em todo o mundo, o maior desafio da TV Digital está na produção de conteúdos apropriados, mais do que na questão da tecnologia. Assim, apesar de haver problemas e desafios a vencer no aspecto da infra-estrutura, na produção própria de conteúdos educacionais, a TV Escola vem desenvolvendo estudos e projetos que definem novos rumos para a interatividade e lançam desafios aos produtores, pesquisadores e empresas que buscam soluções
tecnológicas para a TV Digital.

De fato, é na educação que a TV Digital Interativa alcança seu mais nobre ideal de interatividade: o que chama o telespectador para a análise crítica dos conteúdos, nele despertando o desejo de criar. Trata-se de uma nova forma de oferecer os programas, reconhecendo no usuário (alunos, professores, gestores e outros) um sujeito ativo e não passivo. Pedagogicamente falando, busca-se concretizar desafios lançados por Paulo Freire, Vigotsky, Piaget, Morin e outros educadores que põem em relevo a complexidade e totalidade do ser humano e sua capacidade de construir significados e de gerar projetos e conhecimentos socialmente relevantes.

Obviamente, uma pedagogia de incentivo à formação do leitor crítico dos meios e de estímulo à autoria exigirá uma infra-estrutura que fomente e concretize as inúmeras respostas de atores individuais e coletivos motivados a explorar, analisar, contextualizar, aprofundar, expandir, enfim, a produzir sua própria visão e experiência sobre o tema.

Assim, soluções tecnológicas para a TV Digital Interativa a ser utilizada pela área de educação são mais complexas do que as demandas da TV comercial. E resolver esse desafio significa colocar o Brasil na dianteira em relação a muitos países.

Sinalizando sua disposição no pioneirismo e não se limitar a discursos, a TV Escola está finalizando um programa - GerAção Saúde - que aponta caminhos de interatividade para a TV Digital, não em uma versão de simples escolhas entre A, B ou C, mas envolvendo o telespectador em propostas mais criativas.

Outro exemplo da ousadia da TV Escola é a realização do 1º Programa TV Escola de Fomento a Conteúdos Educacionais Multimeios, que selecionará projetos televisivos que atendam ao formato de pré-exibição, exibição e pós-exibição. Esse formato, a seguir apresentado, pretende traduzir a nova pedagogia da TV Escola: a que integra tecnologias - preparando a TV Digital Interativa - e fomenta a autoria própria.

- Pré-exibição: concisa orientação e preparação do educador para a análise do vídeo e sua futura utilização, dentro e fora da sala de aula. A pré-exibição vai ao ar, obrigatoriamente, pela TV Escola, podendo também ser veiculada na Internet, e busca atrair o educador, despertando seu interesse em relação aos objetivos, conhecimentos e competências que podem ser explorados com o programa, assim como seu uso multidisciplinar, além de auxiliá-lo a preparar um plano de aula mais completo e diferenciado. Exemplos de pré-exibição: trailers, teasers, previews, cenas de bastidores etc.

- Exibição: é o programa televisivo que vai ao ar pela TV Escola e, eventualmente, em outros canais de televisão e que aborda determinado tema, utilizando todos os recursos tecnológicos da moderna televisão e garantindo qualidade de áudio, imagem e conteúdo científico-cultural-educacional.

- Pós-exibição: conjunto de atividades multimeios que complementa a aprendizagem proporcionada pelo vídeo e que antecipa conteúdos interativos da TV digital. Na pós-exibição, o aluno poderá testar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no vídeo. Como exemplo de pós-exibição, destacam-se: testes; textos, vídeos e links complementares; sugestões de projetos e atividades; jogos educativos; objetos interativos de aprendizagem; atividades na web; enquetes; iconografia, entre outros.

Ainda no que diz respeito a conteúdos, a TV Escola prepara-se para, em 2006, abrir duas novas faixas em sua programação: uma que atenda à qualificação profissional e outra para apoiar a Universidade Aberta do Brasil - programa que amplia significativamente as possibilidades de acesso à educação superior.

Paralelamente à produção de conteúdos educacionais que promovam a interatividade, a Secretaria de Educação a Distância lançou o Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, que objetiva formar professores e gestores capazes de ler criticamente os meios e de produzir para TV, vídeo, redes, rádio e, ainda, materiais impressos.

As perspectivas e projetos apresentados consolidam a TV Escola como um poderoso veículo de educação, cobrindo desde a educação infantil até a profissionalizante e a superior, sem esquecer a formação continuada de educadores.

NECESSIDADES DA TV ESCOLA NO SBTVD
O Ministério da Educação acredita que a presença da TV Escola no Sistema Brasileiro de Televisão Digital - SBTVD é estratégica e fundamental para o desenvolvimento das potencialidades da Educação, graças, principalmente, à interatividade.

Uma das dificuldades que a Educação a Distância encontra num país tão extenso quanto o Brasil é a possibilidade real de avaliar, objetivamente e sem ruídos, a resposta do "outro lado da linha" - a do professor e a do aluno. Assim, a TV Escola no SBTVD poderia implantar um sistema de avaliação quantitativa e qualitativa que permitiria o aperfeiçoamento constante do programa e o desenvolvimento de soluções flexíveis e descentralizadas para responder a demandas específicas ou regionais.

Dentro das possibilidades tecnológicas apontadas pelos modelos estrangeiros e sugeridas pelos consórcios nacionais, o MEC aponta a interatividade como ferramenta essencial para a prática plena de uma educação sem distâncias e de alto padrão de qualidade.

Por isso, dentro das freqüências a serem licitadas para os novos players, a TV Escola necessita de espaço para transmissão em SDTV e com banda suficiente para todas essas aplicações interativas. Para tanto, o sinal da TV Escola deve ser carregado pelas empresas vencedoras do processo licitatório, de forma que todas as regiões do País possam receber a programação do canal da educação.

Com isso, o Governo Federal estará garantindo uma política de Estado que respeita os princípios e objetivos estabelecidos pela Constituição Federal para o setor de educação e para os meios de comunicação - finalidades educativas, culturais, com a valorização de programação regional e independente, garantindo o cumprimento do direito à informação plural e diversificada, dentro de elevados padrões estéticos e éticos.

Mais do que qualquer outro canal de televisão, o potencial de inclusão tecnológica, social e educacional da TV Escola? é enorme e sua determinação na produção e seleção de conteúdos, sua independência em relação a interesses comerciais e seu compromisso inequívoco com o cidadão qualificam-na como um canal estratégico para a democratização e eqüidade da educação brasileira e essencial para o desenvolvimento sustentável e soberano do País.


Fonte: E-Proinfo

A TV Digital interativa no espaço educacional

Sergio Ferreira do Amaral*
Daniel Moutinho Pacata**

A sociedade da informação e do conhecimento é um território de preocupação constante. Constitui, sem dúvida, um dos campos decisivos de transformação da cultura e da educação de nossos dias.

As mudanças no sistema escolar, em função da chegada das novas tecnologias do conhecimento, nos remete à necessidade de estudar a relação entre comunicação e educação de modo interdisciplinar, baseado nas reflexões teóricas dessas duas áreas, procurando resgatar a unidade intrínseca destes tratados que nem sempre se encontraram unidos.

Esta inter-relação comunicação e educação não é um processo relativamente novo, mas se nutre de fontes bem consolidadas. Vem configurada por um saber teórico que procede das ciências da comunicação aplicadas aos meios. Complementa-se com as fontes da pedagogia e da didática, que são capazes de explicar e compreender os processos de ensino e aprendizagem que acontecem tanto nos ambientes formais como nos informais.

O final do século 20 colocou nas instituições escolares um novo cenário tecnológico: repleto de satélites de comunicação, de fibra óptica, de informação digitalizada, de computadores, de realidade virtual, em resumo, no meio de uma grande explosão de comunicação audiovisual. Toda essa explosão tecnológica, no entanto, trouxe também um novo cenário social: globalização, desenvolvimento do comércio internacional, mudança na produção industrial, transformação de valores culturais.

As instituições escolares vêm enfrentando todas essas mudanças com crises e contradições: reformas, recursos insuficientes, desmotivação de estudantes e professores, desorientação e incertezas. A tecnologia, de uma perspectiva global, influiu nesta situação mais pelos efeitos que foram gerados do que pela incidência no seu interior. O fato é que a incorporação tecnológica na educação é pobre e lenta, principalmente em países como o nosso. Isto explica a pressão e a necessidade das mudanças.

O consumo das novas tecnologias de comunicação, em especial da Internet e da televisão, é uma realidade inquietante, não só pela quantidade de tempo que diariamente são dedicados a estes meios, pelos diversos setores da sociedade, mas também pelos valores das mensagens transmitidas. Hoje em dia, praticamente tudo é visto pela tela da televisão ou pela tela do computador. Assim, é necessário que a instituição escolar esteja preparada para educar com os meios. A educação terá que capacitar pessoas que irão enfrentar um mundo digital de uma forma reflexiva e crítica.

A integração do sistema clássico da TV com o mundo das telecomunicações da informática, onde a internet possibilita a interação e navegação, fez surgir a nova televisão, a TV digital interativa.

A educação para o uso da TV digital interativa encontra sua máxima expressão quando professores e alunos têm a oportunidade de criar e desenvolver através dos meios suas próprias mensagens. A expressão através da TV interativa, como estratégia motivadora e desmistificadora, requer, portanto, não apenas decifrar a linguagem da comunicação, mas sim servir-se dela.

Incorporando esta experiência, alunos e professores podem perceber significativamente a construção da realidade que todo conteúdo mediático comporta. Esta faceta expressiva é fundamental para conseguir o objetivo de uma educação com os meios.

A TV digital abre as portas, de uma maneira muito especial, para a alfabetização audiovisual permanente, possibilitando e fomentando nos espectadores a capacidade de produzir e analisar suas próprias mensagens.

Utilizando a TV desta forma, estaremos propiciando uma educação que promova uma intervenção social e coletiva crítica imprescindível para uma formação de cidadania.

A televisão na sociedade capitalista, segundo os teóricos críticos da escola de Frankfurt, é vista como um agente socializador e formador de opinião. O homem, no modelo tradicional de comunicação (emissor-mensagem-receptor), torna-se objeto e a sua finalidade última é o consumo. A introdução da interatividade na TV coloca em crise este modelo, já que o receptor não será mais um receptor passivo, e sim um receptor ativo.

Admitir tal realidade encaminha-nos para o futuro do uso didático da TV na escola. A interatividade, característica dos novos meios, adquire um sentido pleno no terreno educativo.

Educar através da nova televisão, portanto, vai exigir que educadores e comunicadores afrontem três grandes tarefas: a compreensão intelectual do meio, a leitura crítica de suas mensagens e a capacitação para a utilização livre e criativa.

Os caminhos entre a nova TV que será interativa não são contrários aos caminhos da escola. Estes caminhos se cruzam e se revelam na procura de novas aprendizagens, do entendimento e da vida.

O CPqD e a Faculdade de Educação da Unicamp, antecipando-se à esperada difusão da TV digital, estão desenvolvendo tecnologias de serviços para esta plataforma de comunicação. Em função da sua importância, a teleducação e a inclusão digital foram escolhidas como temas principais. As tecnologias desenvolvidas não se limitam, no entanto, a somente essas aplicações. Elas poderão e deverão ser aplicadas no desenvolvimento de novos serviços que abordem outros temas, tais como, telemedicina, entretenimento, mensagem, comunicação, transação e informação. Os dados na forma de vídeo, áudio, gráfico e texto poderão utilizar a futura plataforma de TV digital para serem acessados, baixados, armazenados e vistos mais tarde, de forma que a TV possa ser um meio tão rico de acesso à informação propiciando uma inclusão digital para as camadas mais carentes da nossa sociedade, tendo em vista que 89% dos lares brasileiros têm uma TV.

O serviço apresentado neste artigo faz parte do Projeto de TV Digital Interativa que está sendo desenvolvido no CPqD com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Este projeto é subdividido em três sub-projetos:
a) o primeiro projeto visa a implantação de uma Estação de Serviços Experimentais, sendo a primeira estação de transmissão aberta em TV digital interativa no Brasil, a ser instalada em Barão Geraldo - Campinas - SP;
b) o segundo projeto é o de desenvolvimento de serviços interativos para a TV digital centrado em serviços para a teleducação que têm como eixo uma pedagogia comunicacional de apoio ao professor em sala de aula, apoio ao estudante em casa e a interação pais - escola tomando como campo experimental três escolas de ensino fundamental localizadas em Barão Geraldo, Campinas, SP;
c) e o terceiro projeto de desenvolvimento de serviços para a convergência da rede de radiodifusão com a rede de computadores (Internet).

A perspectiva da implantação destes serviços na comunidade envolvida é o desenvolvimento de um papel ativo, ao invés da passividade tradicional dos meios, propiciando a elaboração de propostas que possibilitem a relação da TV digital e o telespectador ativo, participativo e crítico dos meios, na escola e fora dela.

Assim, estaremos oferecendo uma seqüência de atividades sistematizadas sobre o uso da TV Digital na comunidade escolar, de maneira que a educação audiovisual deixe de ser uma exceção no decorrer do ano letivo e se converta em um dos objetivos educativos.

Finalmente, estaremos buscando uma proposta inovadora de interação dos meios com a escola e sua comunidade que trate a educação audiovisual de maneira interdisciplinar, na tentativa de integrar experiências anteriores e abrindo caminho para o futuro do qual seguramente fazem parte as novas tecnologias.

*Sergio Ferreira do Amaral é professor na Faculdade de Educação da Unicamp;
**Daniel Moutinho Pacata é engenheiro do CPqD

Fonte

TV Digital

Hoje em dia, ouve-se falar muito sobre televisão digital. Mas o que é essa nova tecnologia? A TV como nós conhecemos segue um padrão onde o espectador tem apenas uma participação passiva, não interferindo em nada do que se passa no programa de TV. Isso acontece porque na TV analógica, o espectro eletromagnético, que é o meio de transmissão, é quase todo ocupado para que o sinal possa ser transmitido. E ainda existe o fato de que ele sofre muita interferência do local onde está a antena de transmissão.

Já a TV digital discretiza todo o tipo de informação, transformando-a em simples 0 e 1. Isso faz com que a largura de banda do sinal seja diminuída e consequentemente seja possível colocar outros tipos de informação, sem que haja qualquer interferência. Isto traz uma consequência direta, a qualidade da imagem muito melhor do que da analógica pois não há perda de informação. Vamos explicar melhor estes conceitos.

Pense no espectro eletromagnético como uma auto-estrada que liga as redes de TV e o aparelho de TV de sua casa. A TV analógica é um grande caminhão carregado que usa a estrada toda para levar a imagem até você.

O caminhão é tão grande que ele não deixa espaço para ninguém poder voltar. É uma estrada de mão única. A TV Digital usa pequenos caminhões que ocupam apenas parte da estrada, pois a carga que eles tem que levar é menor. A estrada ainda é a mesma, o que mudou foram os caminhões. Esses caminhões agora podem utilizar a estrada como uma via de mão dupla. E isso é a revolução da TV digital. Esse retorno faz com que o espectador possa interferir diretamente na programação.

Assista  um vídeo feito pela TV Câmara onde ele tenta explicar de maneira rápida e suscinta o que é e por que é tão importante a TV Digital para o Brasil.


Exemplos:
- Existem algumas experiências com o Discovery Channel nas quais por meio do programa que está sendo exibido, pode-se acessar o site do próprio canal e obter mais informação sobre o assunto que está sendo exposto.

- Você está vendo uma novela. Gostou tanto da roupa de um dos personagens que quer comprar uma igual. Aperta-se um botão e, pronto, você já está conectado com a loja que a vende, faz o pedido, e dentro de alguns dias você recebe o seu produto em casa.

- Aqui mesmo no Brasil, uma operadora de TV por assinatura via satélite oferece um serviço onde você está assistindo o filme que está passando no horário programado. O telefone toca e você simplesmente aciona o controle remoto e a imagem congela, esperando você terminar sua ligação. Você volta do telefone, aperta o botão e o filme volta a passar exatamente de onde havia parado.

Veja, as possibilidades de interatividade da Televisão Digital são praticamente infinitas, porém ainda estamos engatinhando neste processo e o que se tem implementado atualmente são os conceitos comerciais de entretenimento.

Mas a TV digital não fica apenas no âmbito da tela da TV, ela vai mais além, passa pela internet e vai até o celular. No Japão, já existem produtoras de vídeos que produzem capítulos de novela com cerca de 1 minuto para serem exibidos exclusivamente no celular.

No Brasil, várias iniciativas já estão sendo realizadas rumo a utilização da TV Digital na Educação. Veja o texto "TV digital amplia alternativas de inclusão social", de Paulo Franco, sobre este assunto, para melhor compreeender as ações atuais do Governo Federal no escopo da TV Digital educacional, através do programa TV Escola.

Agora que você conhece mais um pouco sobre a TV Digital, saiba mais sobre como pode ser trabalhada esta nova mídia no processo educacional lendo os artigos abaixo:
- "A TV Digital interativa no espaço educacional" de SERGIO FERREIRA DO AMARAL e DANIEL MOUTINHO PACATA
- "Adolescentes são curadores da Mostra VILATIVA"

Fonte: E-Proinfo