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domingo, 23 de agosto de 2009

Filmes Matemática

Muitas vezes nos perguntamos quais filmes podemos passar para os alunos nas aulas de Matemática. Parece complicado encontrar um filme adequado, que fale sobre Matemática.

Fazendo o módulo TV e Vídeo (pós-graduação Mídias na Educação - Ciclo Intermediário - UFSM) deparei-me com o tema "Educação Audiovisual e Currículo" - enfoque principal: televisão e vídeo. Uma das atividades propostas, era fazer uma reflexão sobre minha formação audiovisual como educador e participar de um fórum dentro do curso. Lendo o fórum, observei que outros colegas de minha área (Matemática e Física) tinham as mesmas dificuldades que eu: encontrar filmes que abordassem o assunto Matemática. Então resolvi pesquisar um pouco sobre o assunto e saiu a lista de filmes a seguir. Agora resta assisti-los, ver que conteúdos abordam e de que maneira podemos utilizá-los em nossas aulas!

OBS.: Estou aceitando dicas de como utilizar esses (ou outros) filmes nas aulas!!!


Mas antes da lista deixo aqui uma frase que AMEI para reflexão dos professores de Matemática (principalmente):

"Porém, não podemos esquecer que a Matemática contribui para formação de cidadãos e, como tal, passar um filme que possa auxiliar nosso aluno na vida prática pode ser em qualquer área."
(Ieda Margarete Teixeira Alvares)




- A Ilha (The Island)
- A Lenda do Tesouro Perdido - O Livro dos Segredos (National Treasure: The Book of Secrets)
- A prova (Proof)
- Além do Tempo (Infinity)
- Alice no País das Maravihas
- Anjos Rebeldes (The Prophecy)
- As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless)
- As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)
- Caos (Chaos) - 2006
- Cassino Royale
- Clube dos Pilantras (Caddyshack)
- Código de Alerta (The Code Conspiracy)
- Contato (Contact)
- Corra Lola, Corra (Run Lola Run)
- Correndo com Tesouras (Running with Scissors)
- Croupier - A Vida em Jogo (Croupier)
- Cubo
- Cubo 2: Hipercubo
- Dias Incríveis (Old School)
- Dimensions
- Duro de Matar - A Vingança (Die Hard With a Vengeance)
- Endiabrado (Bedazzled)
- Enigma (2001)
- Esta é Minha Chance (It's My Turn)
- Fim dos Tempos (The Happening)
- Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)
- Gênio Indomável (Good Will Hunting)
- Jane Eyre (2006)
- Madrugada Muito Louca (Harold & Kumar Go to White Castle)
- Meninas Malvadas (Mean Girls)
- Missão Impossível 3 (Mission Impossible III)
- Mistério na Neve (Smilla's Sense of Snow)
- Mr. Holland - Adorável Professor (Mr. Holland's Opus)
- Náufrago (Cast Away)
- Numb3rs
- O Céu de Outubro (October Sky)
- O Código Da Vinci (The Da Vinci Code)
- O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo)
- O Espelho Tem Duas Faces (The Mirror has two Faces)
- O mágico de Oz (The Wizard of Oz (1939)
- O Pai Da Noiva (Father Of The Bride)
- O Preço do Desafio (Stand and Deliver)
- O Quarto de Fermat
- O Santo (The Saint)
- Os Crimes de Oxford (The Oxford Murders)
- Palácio de Ilusões (Mansfield Park)
- Parque dos Dinossauros (Jurassic park )
- Pequenos Grandes Astros (Like Mike)
- PI
- Quebra De Sigilo (Sneakers)
- Quebrando a Banca
- Quero Ser Grande (Big)
- Segunda Chance (P.S.) (2004)
- Shrek Terceiro (Shrek the Third / Shrek 3)
- Um Amor Para Recordar (A Walk to Remember)
- Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind)
- Xuxa em Sonho de Menina


Bibliografia:
Cubo de Gelo – Matemática no Cinema
Departamento de Matemática de Harvard – Filmes de Matemática
Filmes de Cinema

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Filmes que abordam temas relacionados a Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais


Gilbert Grape - Deficiência Mental
Meu Pé Esquerdo - Paralisia Cerebral
Iam Sam - Deficiencia Mental
O Oitavo Dia - Síndrome de Down
Simples Como Amar - Problemas Mentais
Mentes que Brilham - Criança Super Dotada
Benny & Joon - Problemas Mentais
O Enigma de Kaspar Hauser - Problemas Mentais
A Maçã - Problemas Mentais
De Porta em Porta - Problemas Mentais
Molly Experimentando a Vida - Autismo
Gaby Uma História Real - Paralisia Geral
As Chaves de Casa - Deficiências Psicológicas
Os Dois Mundos de Charly - Problemas Mentais
Quem Falará Por Jonathan - Síndrome de Down
Rain Man - Autismo
Uma Viagem Inesperada - Autismo
Meu Filho Meu mundo - Autismo
Testemunha do Silêncio - Autismo
Gideon Um Anjo em Nossas Vidas - Problemas Mentais
O Poder da Emoção - Problemas Mentais
Código Para o Inferno - Autismo
Do Luto a Luta - Documentário Síndrome de Down
Ratos e Homens - Problemas Mentais
Um Amor Muito Especial - Problemas Mentais
O Prisioneiro do Silêncio - Autismo
A Sombra do Piano - Autismo
1942 - A Caminho do Paraíso
Adoravel Professor
O Gênio do Videogame
O Inocente
O Milagre de Anne Sullivan

Filmes que abordam tema Autismo



Fonte: Autismo-BR

domingo, 3 de maio de 2009

Editando Episódios - VirtualDub

Para juntar pedaços de um filme, gerando um único, através do programa VirtualDub.

O Primeiro passo é fazer o download das partes interessadas, salve os arquivos em uma pasta de sua preferência, mas lembre-se qual é.

Após a execução do programa Virtualdub, Clique em File, localizado no canto superior esquerdo da janela, e escolha a opção Open Video File.

Uma janela será aberta para que seja escolhido o video a ser unido pelo programa. Selecione o Primeiro video da sua escolha.

Para se adicionar as outras partes do video repita o procedimento abaixo : Clique novamente em File e dessa vez, escolha a opção "Append AVI Segment", e escolha o arquivo para ser colocado em sequencia com o anterior previamente escolhido.

Terminado de selecionar todos os arquivos, clique em Video, localizado no canto superior da janela e selecione "Direct Stream Copy"

Feito isso, vá em File e clique na opção Save as AVI, e escolha a pasta para onde será salvo o arquivo com todos os filmes unidos.

sábado, 2 de maio de 2009

Alguns Roteiros

No site Geração Saúde do TV Escola há alguns roteiros super bacanas para produção de vídeos!!!
Basta clicar em Episódios!!!

Guia de Layout Master Scenes

Hoje em dia, podemos dizer que quase todos os guiões para cinema são escritos no formato americano Master Scenes, que implica uma página de roteiro para cada minuto de filme. Para conseguir esse tempo Pg/Mim, requer um pouco de prática, mas não conseguir alcançá-lo não irá interferir na qualidade do enredo.

Por que usar o Master Scenes? Por que é um sistema simples, muito usado (qualquer pessoa da área de cinema que vê-lo vai saber que é um guião) e permite ao argumentista se concentrar mais no que é o dever dele: contar uma história.

Os argumentistas não-americanos usam uma formatação mais liberal, que permite a indicação de transições e, às vezes, a indicação de planos quando for essencial para o entendimento da cena. Já no Master Scenes, mais rigoroso, o argumentista não pode fazer qualquer tipo de indicação nem ao director, poucas vezes aos actores, nem a qualquer outro técnico da fase de produção. Mas isso é discutível, pois quando num roteiro está escrito: "MARIA brinca com sua aliança de casamento entre os dedos", nenhum director será louco de mostrar essa cena em plano geral! O que ele fará será um enquadramento em close ou mais próximo.

Como regra, corte o máximo possível de indicações técnicas e se concentra ao máximo no enredo do guião. Sempre há algum modo de sugerir algo ao director, fotógrafo, actor, editor e outros da área, sem usar explicitamente um termo técnico... Use o bom senso.


1. Preparando a Folha
Papel:
Tipo Carta (21,59 cm x 27,94cm)
Margens:
Superior: 2,5 cm.
Inferior: entre 2,5 cm a 3 cm;
Margem esquerda: de 3,5 cm a 4 cm
Margem direita de 2,5 cm a 3 cm;
Fonte:
Courier New, tamanho 12 pt. Não use itálicos ou negritos.

2. Cabeçalhos
Alinhamento esquerdo;
Todas em MAIÚSCULO;
Numeração opcional.

3. Descrição da Cena
Alinhamento esquerdo ou justificado;
Uma linha de espaço entre os parágrafos;

4. Diálogo
• Personagem
Recuo esquerdo de 6 a 7cm;
Todas em MAIÚSCULAS.
• Indicação ao actor
Recuo esquerdo 1cm a 2 cm menor que o recuo do Personagem;
Entre parêntesis.
• Diálogo
Recuo esquerdo de 3 cm a 4 cm;
Recuo direito de 1,5 cm a 2,5 cm;
Alinhamento esquerdo ou justificado;
• Outras indicações
Escritas ao lado do nome do personagem, entre parêntesis, usando a mesma formatação;
V.O. = Voice Over (voz)
O.S. = Out of Screen (fora da tela);
CONT = Continuando;
MAIS = usado para indicar que o diálogo foi quebrado pela página.

5. Transições
Alinhamento direito;
Todas em MAIÚSCULO.

6. Capa
Deve conter o título em destaque; o nome do autor, dados do copyright, dados como o endereço, contacto, agente, etc.
Geralmente, a capa é escrita do seguinte modo:
Fontes Courier New 12 pt;
TÍTULO DO GUIÃO quase ao centro da folha, todas em MAIÚSCULA;
Abaixo do título o nome do autor;
Nas últimas linhas dados do Copyright, do autor, do agente e contacto.

7. Segunda Página
Na quarta linha escreva o Título do Guião, centralizado, todas em MAIÚSCULA;
Duas linhas abaixo, com alinhamento esquerdo, todas em maiúscula, escreva FADE IN. Duas linhas abaixo começa o roteiro em si.

8. Última Página
Com a mesma formatação das transições, escreva FADE OUT três linhas após o termino do roteiro;
Três linhas embaixo do FADE OUT escreva FIM ou FINAL, todas em MAIÚSCULA, alinhamento centralizado.

9. Numeração
Em todas as páginas, excepto a capa, no canto superior esquerdo da página;
Fonte normal, 12 pt.

10. Espaçamento
• Espaçamento simples durante os:
Diálogos;
Nomes;
Indicações ao actor;
Descrições das cenas.
• Espaçamento duplo (equivalente a dois Enters) entre os:
Cabeçalhos;
Descrições das cenas;
Transições;
Diálogos.

11. Observações
Não haverá problemas se você usar uma padrão de formatação um pouco diferente -- só um pouco mesmo --. O importante é tornar a leitura o mais fácil e visual possível


Fonte

A Televisão e o Vídeo na Sala de Aula

O uso didático da televisão e do vídeo teve a sua raiz no cinema. Pouco tempo após a sua invenção, filmes cinematográficos educativos começaram a ser usados nas salas de aula. Antes disso, porém, o que havia à disposição de professores e alunos eram imagens fixas projetadas por meio de aparelhos como as então denominadas “lanternas mágicas”.

No início, o cinema era geralmente de caráter documental e esse tipo de cinema se confundia com o cinema educativo, fora do Brasil, segundo Pfromm Netto. No Brasil, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná realizam as primeiras filmagens nessa modalidade. Os filmes realizados então eram de curtíssima duração e exibidos em lugares improvisados. Data de 1910 o primeiro filme de caráter expressamente educativo e já em 1929 foi instituído o uso do cinema educativo em todas as escolas primárias do Rio de Janeiro, quando o acervo nacional já contava com vários títulos produzidos dentro e fora do País.

O uso do cinema educativo para o ensino médico logo provou ter grande importância. Franceses e Alemães foram os pioneiros do cinema científico. A microcinematografia e a condensação artificial do tempo permitiram que muitos fenômenos biológicos e o comportamento de microorganismos pudessem ser cuidadosamente observados. Filmagens no interior do corpo humano foram possíveis graças ao desenvolvimento da endocinematografia e logo várias especialidades médicas se beneficiaram da nova possibilidade.

A separação de duas irmãs xipófagas, em 1907, foi registrada no primeiro filme médico brasileiro. Desde então, várias instituições como o Instituto Biológico e o Instituto Nacional de Cinema Educativo, fundado em 1936 por Roquette Pinto, ofereceram notáveis contribuições para o cinema médico brasileiro.

Nasceram no País várias filmotecas e o cinema educativo proliferou no Brasil até os anos 70, quando a televisão começou a se expandir pelo território nacional. A partir de então, abriu-se um novo canal para divulgação de materiais educativos audiovisuais, e o cinema educativo foi pouco a pouco perecendo, junto com as principais instituições que lhe deram apoio, como o Instituto Nacional de Cinema Educativo, por exemplo.

Vídeo e televisão estão estreitamente vinculados, seja por razões econômicas e mercadológicas, como ressalta Pretto, seja pela própria natureza desses meios de comunicação. O vídeo tem alta penetração social, uma vez que seu custo tem se reduzido ao longo dos anos e conta com um mercado em expansão, a despeito do surgimento de novas e mais sofisticadas tecnologias do som e da imagem. E a televisão é ainda considerada o mais popular meio de comunicação social. Vídeo e televisão contam com diferentes possibilidades de uso.


O potencial do uso do vídeo e da TV

Há décadas, a televisão tem sido utilizada com finalidades educacionais, suplantando o rádio. Vários autores confirmam as suas potencialidades para tornar o ensino mais eficaz (Moore & Kearsley; Valmont; Netto; Wetzel). O desenvolvimento rápido das tecnologias da comunicação e da informação tem colocado à disposição da televisão novas possibilidades, oferecendo-lhe mais oportunidades do que propriamente ameaças. É o caso das redes de satélites, por exemplo, e da tecnologia digital. Como conseqüência, a televisão tem se tornado um meio bastante popular e de alcance ampliado através dos anos, pela sua característica de se conjugar a novas tecnologias.


Fonte: E-Proinfo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Refletindo sobre a linguagem do cinema

Tema debatido na série Refletindo sobre a linguagem do cinema, apresentado no programa Salto para o Futuro/TV Escola, de 4 a 8 de abril de 2005.


Refletindo sobre a linguagem do cinema


Laura Maria Coutinho

Cinema é espetáculo. Ou seja, tudo o que chama a atenção, atrai e prende o olhar. Se não, não é cinema, na sua mais pura acepção. O cinema criou os grandes planos e as panorâmicas e, da mesma forma, espetacularizou o ínfimo, o detalhe, com tal nitidez e de uma forma tal, que nenhuma outra linguagem é capaz de criar. Revela até o que, perfeitamente presente, é apenas pressentido, não se ouve, nem se vê. “O espectador identifica-se, pois, menos com o representado – o próprio espetáculo – do que com aquilo que anima ou encena o espetáculo, do que com aquilo que não é visível, mas faz ver, faz ver a partir do mover que o anima – obrigando-o a ver aquilo que ele, espectador, vê, sendo esta decerto a função assegurada ao lugar (variável – de posições sucessivas) da câmera”. O cinema seria, então, o espetáculo visto, proposto pela câmera, numa revelação direta olho e máquina.

Esta série quer trazer para a discussão os principais elementos da linguagem cinematográfica que se revelam e se escondem nas narrativas que cada filme, a seu gosto e a seu modo, apresenta. Apreender o que os filmes dizem e o que cada espectador, ao ver o filme, quer dizer, talvez seja a experiência educativa mais profunda que o cinema possa proporcionar. Cinema pode ensinar, para muito além do conteúdo que os filmes parecem apresentar à primeira vista. Ir ao cinema, ver filmes em vídeo ou na tevê são sempre ações que se confundem em um mesmo processo de fazer emergir pressentimentos e atribuir sentidos ao que se desenrola nas telas, em linguagem feita de imagens e sons. São as imagens e os sons que primeiro se apresentam, mas a linguagem audiovisual, movimento, cor, é composta de muitos elementos e muitas nuanças, sintetizados em uma narrativa. Os elementos que compõem o cinema estão, desde há muito, partilhando da vida de todos os que habitam este planeta girante. Assim, ver filmes, mesmo aqueles mais banais, pode ser uma experiência profundamente humana.

Cinema é também a primeira arte em movimento e para grandes públicos, sem pré-requisitos. Todos podem, rápida e minimamente, compreender um filme, ainda que a língua do cinema exija, sim, estudos talvez muito mais profundos e complexos do que a língua escrita. Contar histórias em imagens e sons é parte do modo de viver do homem contemporâneo. Hoje, estamos no mundo das imagens, é o que alardeiam especialistas, ou não. Todas as histórias, mesmo as mais antigas, contadas em filme, trazem nelas aquele certo gosto de atualidade que lhes confere o fato de emergir das telas, sempre de novo e pela primeira vez.

A história que um filme conta é a história do filme, mas também a que cada espectador assiste. A história de cada um, espectadores e personagens, é parte da história de todos; em meio a uma enormidade de fios, se entrelaçam novos enredos em muitos plots, sejam eles reais ou ficcionais. Desvelar o que isto representa para a formação, para a educação e para a aprendizagem deste homem contemporâneo é um desafio para todos, educadores ou não. A linguagem audiovisual atua em uma esfera que conjuga espaço e tempo, locação e deslocamento, o passado, presente e futuro em permanente transformação.

Luis Buñuel, no seu livro biográfico, O último suspiro, refere-se a Eugênio d’Ors como “autor de uma frase que cito freqüentemente contra aqueles que buscam a originalidade a qualquer preço: Tudo o que não é tradição é plágio.” E completa: “Algo sempre me pareceu profundamente verdadeiro nesse paradoxo.” Paradoxal ou não, tradição, no seu sentido etimológico, é o “ato de transmitir ou entregar” e original é “princípio, precedência.” Assim, histórias e narrativas, conteúdo e forma, originalidade e tradição parecem fundir-se em uma mesma e sempre outra experiência humana, que o cinema tão bem retrata. E sugere que toda história é uma tradução, uma vez que está baseada, copiada, inspirada, em muitas outras, numa seqüência espiralada, descontínua e infinita.

Toda arte é, antes de tudo, uma maneira de percepção. Quando expressa essa percepção por meio da visão e da audição, traduz um conceito artificial, um artifício, um artefato. No caso do cinema, o artefato é uma película sensibilizada pela luz, revelada e novamente impressionada pela luz, no momento da projeção. Das nostálgicas lanternas mágicas às modernas técnicas de projeções digitais, cinema é, na tela, luz e sombra. E é também a confluência de muitos mistérios.

Vejo o mistério, em muitos filmes, a partir da luz. Não há mistérios sem que os elementos dramáticos estejam muito bem encadeados. Amaranta César, em análise dos filmes de David Lynch, diz que “regras cambiantes e ambigüidades espaço-temporais constituem o universo narrativo dos filmes de David Linch tornando-os, paradoxalmente, muito bem definidos. Suas histórias se constroem sobre um terreno móvel e desconcertante, configurado pela convivência de figuras, personagens, cenários e situações que não respeitam um princípio pronto e reconhecível de ordens, situados nas fronteiras dos gêneros, além das clivagens tradicionais (entre elas as que separam o natural do sobrenatural, o sublime do grotesco). Há, portanto, uma ambigüidade narrativa, proveniente de um mistério que nunca é totalmente esclarecido, e que, por sua vez, envolve o espectador numa situação de desconforto e incômodo”.

Penso que o cinema de David Lynch tem a capacidade de trazer, para o cosmo de um filme, o universo narrativo que ultrapassa as tramas que envolvem o próprio homem contemporâneo e não apenas os personagens que transitam por suas histórias cinematográficas, configurando assim um processo interativo razoavelmente complexo. Nesse sentido, seu cinema é identificado como pós-moderno. Mas, talvez, extrapole, em muito, o âmbito de abrangência que esse conceito pretende ter.

Cinema é arte contemporânea, síntese poética, alegoria e realidade. Tempo e espaço. Portanto, compreender cinema é também compreender o tempo no seu transcorrer, na sua duração que, muitas vezes, se desvincula do tempo físico da projeção. Talvez, por isso, o estranhamento que muitos filmes causem a seus espectadores. Cada filme, com o estilo cinematográfico que adota, cria um tempo que lhe é peculiar, além do tempo que a história pretende relatar. Além das paisagens privativas que o tempo histórico dos filmes expressa – em locações, estúdios e cenários exclusivos –, as narrativas cinematográficas falam, ainda, de um tempo que transcorre de maneira própria, sendo somente daquele filme. O tempo na narrativa cinematográfica está na ação que imprime o ritmo, assim como está no verbo nas linguagens escritas. O tempo, no filme, vai além das palavras ditas pelas personagens, não se restringe ao descrito pela ação da câmera. Está no que é falado pelos personagens, mas está também na paisagem, na arquitetura, nas roupas, nos gestos, nos enfeites de corpo e de ambientes. Sempre, pelo menos, dois tempos que, em fragmentações constantes, vão revelando uma escultura de muitas faces. Para lembrar Tarkoviski, para quem cinema é esculpir o tempo.

O cinema é cultura e entretenimento, tem hora e local próprios para acontecer e, se visto nessas salas apropriadas, pode proporcionar espetáculos de rara emoção e beleza. No entanto, pode ir aonde a imaginação e a energia elétrica permitirem. Cinema é, assim, uma arte popular; fitas cassete e DVD, mais que as películas, transportam imagens e sons para todos os lugares e todas as pessoas. E há muito o cinema já foi pensado para se aproximar da educação e da escola, em vários projetos e em vários momentos, ainda que, “como sujeitos separados, a educação e a cultura falam de si e entre si coisas distintas. A educação, para dentro de suas paredes, organizada por séries, etapas, fases, especialidades, traz a cultura – ciência, artes – oficial ou oficiosamente embalada pela pergunta: é adequada para que nível? (...) A cultura das artes e das ciências – poucas vezes produzida em escolas e muitas vezes produzida fora delas – leva em conta a tradição e o aprendizado técnicos, mas não os níveis, os programas rígidos, a divisão etária, a tradição escolar dos pré-requisitos”. A escola e as disciplinas percebem o cinema como o receptáculo de um conteúdo próprio para uma aula, seja de História, Geografia, Língua Portuguesa, Matemática. Dessa forma, os alunos-espectadores se aproximam dos filmes com certa reserva, ficando muito aquém das possibilidades que este meio – o cinema – oferece. O desafio, então, para educadores e professores que se interessam por cinema como método de trabalho, poderia ser o de estudar esse artefato cultural, indo além do enredo, a partir da decomposição de seus dois elementos básicos – imagens e sons – abordados de várias formas, seja no grande plano-sequência em que se constitui o filme – do momento em que acende a luz ao instante em que se apaga. Ou, nos pequenos planos – cortes para mudança de imagens – que vão se somando pouco a pouco para constituírem a totalidade do filme. Walter Benjamin diz que “a arte contemporânea será tanto mais eficaz quanto mais se orientar em função da reprodutibilidade e, portanto, quanto menos colocar em seus centros a obra original”. Os meios eletrônicos e portáteis de cópia e projeção, a multiplicação de cópias, o controle remoto, o retorno e o avanço de imagens e sons, de certa forma, desmistificaram a arte cinematográfica que já surgiu para ser reproduzida e tornaram as histórias, os personagens, os lugares dos filmes ainda mais próximos de nós.



Programas dessa série:
-> PGM 1 - Luz e sombra (iluminação)
Este programa trata dos elementos luz e sombra nos seus muitos aspectos expressivos. E de como, no filme, o suporte, película de celulóide, impressionado pela luz, dá início ao processo fotográfico,que se realiza nos inúmeros fotogramas que, justapostos, vão se constituir um filme com história própria, ainda que multiplicado em inúmeras cópias. Luz e sombra são elementos dramáticos, ou seja, concorrem para a construção das narrativas que falam diretamente ao emocional, podendo levar ao riso ou às lágrimas, comover.

Filme – O carteiro e o poeta.

-> PGM 2 – Som, silêncio e fala (trilha sonora)
Tendo como referência o filme Abril despedaçado, o programa apresenta os aspectos que estão embutidos no filme, sobretudo, nos momentos de silêncio. Procura ressaltar a eloqüência do vazio, na linguagem cinematográfica, e suas possibilidades expressivas. Estes aspectos são observados nessa vendeta nordestina que o filme retrata, mas poderiam também ser na Albânia, onde foi escrito o livro em que o filme se baseou, ou na Córsega, onde teve origem a palavra vendeta: espírito de vingança, entre famílias, provocado por um assassinato ou uma ofensa.

Filme – Abril despedaçado.

-> PGM 3 – Editando a realidade (montagem)
Nesta série, em que estamos refletindo sobre as diferentes linguagens do cinema, ou dito de outra maneira, sobre o que faz do “cinema” cinema, vamos nos deter na análise do processo de edição. A escolha do filme Nenhum a menos, do diretor Zhang Yimou, deveu-se à possibilidade de pensar a edição por meio de um universo tão familiar na educação: a relação professor-aluno. A partir da narrativa fílmica, buscaremos compreender e refletir sobre o sentido desse elemento constitutivo do cinema, que é a edição. Partindo da premissa de que o que sustenta esse trabalho é sempre uma interrogação: Que história queremos contar? O que, por analogia, se aproxima do trabalho dos professores, que ao fazer e refazer os planejamentos, precisam ter sempre em mente que alunos querem formar.

Filme – Nenhum a menos.

-> PGM 4 – A origem dos enredos
Estudiosos de literatura, escritores, roteiristas de cinema e de TV sabem que o número de histórias originais é limitado. Alguns falam em 40 histórias. Por isso, os indianos dizem que a história que não estiver contida no Mahabharata não existe! De certa forma as histórias sempre se repetem e, quanto mais repetidas, mais interessantes se tornam, retratando sob os diversos ângulos as mais variadas faceta da vida humana.

Filme – O Senhor dos Anéis.

-> PGM 5 – O real, a linguagem da realidade, o cinema
Aspectos da linguagem cinematográfica serão tratados neste programa, tendo como referência o filme Mamma Roma, de Pier Paolo Pasolini. É um filme que emerge da realidade, ou seja, tudo nesse filme é para ser visto como real. Em meio à história da prostituta romana que, pela relação com o filho, deseja deixar a vida que leva, cenário (subúrbios de Roma) e personagens fundem-se numa narrativa contundente.

Filme: Mamma Roma.

Referências bibliográficas
Benjamin, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1987.

Almeida, Milton José de. Cinema arte da memória. Campinas-SP: Autores Associados, 1999.

Duarte, Rosália. Cinema e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

Teixeira, Inês A. de Castro e Lopes, José de Sousa Miguel (orgs.) A escola vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica.

Salto para o Futuro. Boletim Diálogos: cinema e escola. Rio de Janeiro, TV Escola/Salto para o Futuro, 2002


Texto original em Salto para o Futuro

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Que lição tirar de Sociedade dos Poetas Mortos?

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Quebrar barreiras impostas é essencial para o crescimento, mas é igualmente importante fazer isso de modo coerente


FILME
: Sociedade dos Poetas Mortos, dirigido por Peter Weir, com Robin Williams e Ethan Hawke, 1989.

A HISTÓRIA: No final dos anos 50, ex-aluno (Robin Williams) de uma conservadora escola preparatória se torna o novo professor de literatura da instituição. Entretanto, os métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos criam um choque com a ortodoxa direção do colégio.

QUEM INDICA: A jornalista e escritora Isabella Saes. “O professor que chega àquela escola revoluciona a maneira dos alunos pensarem. Ele apresenta a emoção e os sentimentos reais a eles, peça fundamental para que alguém possa se tornar um aprendiz de verdade.”

POR QUE VER: “É importante para a conscientização de que sempre é tempo de mudança. As portas se abrem quando somos estimulados e encorajados. É papel do professor caminhar lado a lado ao seu aluno, estimulá-lo, e levá-lo a busca dos próprios ideais”, opina a coordenadora pedagógica Sueli Marchetti Zaparolli do Colégio Luiza de Marillac, São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “A escola é o lugar onde não só aprendemos os conteúdos programáticos propostos, para obtermos cultura e informação, mas principalmente onde se aprende a viver em conjunto. Época de conquistas, de formação integral e de auto- afirmação. Por meio do filme percebe-se o quanto a educação é coisa do coração, do sentimento também”, completa Sueli.

Texto criado por Gabriel Navarro
Fonte:
Educar para Crescer

Que lição tirar de Pink Floyd: The Wall?

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A ópera-rock desconstrói os valores atribuídos à instituição escolar e expõe o conflito entre as necessidades particulares e coletivas


FILME
: Pink Floyd: The Wall, dirigido por Alan Parker, com Bob Geldof, 1982.

A HISTÓRIA: Órfão de pai (morto durante a Segunda Guerra Mundial), o jovem Pink Floyd (Bob Geldof) tem a infância marcada pela perseguição de seu professor e pela superproteção da mãe. Adulto, ele se torna um astro do rock e entra em depressão. Para salvar sua consciência e a própria vida, Pink terá de lidar diretamente com os fantasmas do passado.

QUEM INDICA: A cineasta e vj da MTV Marina Person. “É uma obra que questiona a educação super-rígida e limitada à estrutura da sala de aula. Abre espaço para a contestação de valores ultrapassados”.

POR QUE VER: “É emocionante, uma grande lição de vida, redenção e fraternidade que leva o aluno a pensar, refletir e conscientizar-se frente às situações agressivas da vida. Para pais e professores, o contato com a dor, com as mazelas da humanidade é sempre um excelente recurso para a construção de vidas felizes e equilibradas”, justifica a coordenadora pedagógica Sueli Marchetti Zaparolli, do Colégio Luiza de Marillac, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Buscar ver as coisas de modo diferente. Não aceitar padrões; repensá-los. Tentar perceber no mundo os padrões existentes e quais precisam ser quebrados para que as mudanças gerem ganhos sociais ou mesmo pessoais. Como o protagonista, o jovem hoje muitas vezes também é conduzido por forças que não conhece na sociedade de consumo. Ele acaba sendo induzido a comprar, a consumir, a pensar seguindo interesses específicos”, diz Leandro Alcerito, professor de biologia do Colégio Vértice, de São Paulo.

Texto criado por Gabriel Navarro
Fonte:
Educar para Crescer

Que lição tirar de Mr. Holland: Adorável Professor?

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A influência dos educadores na vida pessoal dos alunos pode ser mais forte do que aparenta e gerar frutos permanentes


FILME
: Mr. Holland: Adorável Professor, dirigido por Stephen Herek, com Richard Dreyfuss e William H. Macy, 1995.

A HISTÓRIA: Em 1964, um músico (Richard Dreyfuss) resolve começar a lecionar para ter mais dinheiro e assim se dedicar a compor uma sinfonia. Mas os alunos se mostram pouco interessados e as coisas se complicam quando a esposa dele da luz a um bebê surdo. Para poder financiar os estudos especiais e o tratamento do filho, o professor se envolve cada vez mais com a escola, deixando de lado seu sonho de tornar-se um grande compositor.

QUEM INDICA: o jornalista Paulo Maffia. “É um filme sensível, que mostra que Educação não é só livro e caderno, mas é formar e transformar seres humanos. Esse professor de música toca a vida das pessoas de forma diferente.”

POR QUE VER: “Você percebe que diante de todas as adversidades, diante de toda uma vida, é possível deixar uma história, uma construção. Às vezes, por mais tola e boba que pareça nossa influência na vida das pessoas, ela é contundente, muda mesmo”, diz o professor de biologia Leandro Alcerito, do Colégio Vértice, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Numa das primeiras aulas, o professor coloca uma música dos anos 60 para tocar, algo bem importante naquele momento histórico. E depois chega ao piano e toca uma peça erudita para mostrar como as duas são parecidas. Isso mostra que o currículo tem de estar em consonância com o seu momento. É um saber organizado, construído ao longo do tempo, mas o educador tem de fazer diálogo com o que está acontecendo. Não adianta eu querer falar de música se não faço idéia do que é que meus alunos estão ouvindo. Eu preciso gostar? Claro que não. Mas tenho de saber”, diz Zilton Salgado, professor de artes, filosofia e sociologia do Colégio Vértice.


Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte: Educar para Crescer

Que lição tirar de Legalmente Loira?

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Superar os preconceitos e investir no próprio esforço são itens essenciais para a realização pessoal


FILME
: Legalmente Loira, dirigido por Robert Luketic, com Reese Whiterspoon e Luke Wilson, 2001.

A HISTÓRIA: Poucas pessoas no mundo têm os mesmos privilégios que Elle Woods (Reese Whiterspoon). Ela é linda, loira natural, tem muito dinheiro e namora o garoto mais desejado do colégio. Porém, quando ele vai estudar direito em Harvard e se encanta por uma arrogante colega de classe, dispensa Elle por considerá-la fútil. Inconformada com a situação, a patricinha decide ingressar na mesma universidade e provar a todos sua capacidade.

QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. “Mostra que a inclinação do indivíduo a determinadas matérias transcende os estereótipos. E que, às vezes, podemos ser notavelmente aptos a algum tipo de atividade sem sequer nos darmos conta desse fator. O meio educacional, o estímulo e a vivência com os demais é que despertarão esse dom em nós. Elle desenvolve um genuíno interesse pela faculdade e se torna uma das melhores advogadas formadas pela instituição.”

POR QUE VER: “Fala do peso que os estereótipos impostos pela sociedade assumem na vida de uma garota. Ela cursa Direito e se sai superbem, sendo que ninguém apostava nela. Se o professor não acredita no potencial do aluno, o desejo dele esbarra na falta de motivação”, diz Ana Lúcia Tampellini, coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Estereótipos nem sempre se confirmam. No caso do filme, a garota loira e sempre bem arrumada mostra que patricinhas não são necessariamente burras. É uma excelente reflexão para professores que se deixam guiar pelo que lhes é dito e pelo apelo das aparências”, alerta Ana Lúcia.

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte:
Educar para Crescer

Que lição tirar de O Homem-Elefante?

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Ir além das aparências é a chave para descobrir as possibilidades do aluno e explorar todo o potencial de aprendizagem

FILME: O Homem-Elefante, dirigido por David Lynch, com Anthony Hopkins e John Hurt, 1980.

A HISTÓRIA: John Merrick (John Hurt), um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana é portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, com 90% do corpo deformado. Ele é considerado deficiente mental e explorado em circos de aberrações até ser descoberto pelo médico Frederick Treves (Anthony Hopkins), que o leva a um hospital onde se revela um ser sensível e inteligente. Inspirado na vida de Joseph Merrick.

QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. “Vemos que o acesso aos meios culturais é, em última instância, determinante para o modo como assimilamos o mundo - e também, para o modo como o mundo nos avalia. Apresentado como monstro circense, Merrick conquista cidadania ao revelar às pessoas certas sua inclinação natural para a música e para a poesia, que estavam aprisionadas em um exterior monstruoso”.

POR QUE VER: “A gente percebe que existe em todo ser humano uma possibilidade gigantesca. Ela pode aparecer como grotesca, como no filme, mas por trás dessa condição existe alguma coisa diferente. Ao longo do filme, nossa relação com o personagem vai mudando. Coisas feias podem se tornar belas. Causa certo interesse mágico pelo sapo que pode virar príncipe”, comenta o professor de artes, filosofia e sociologia Zilton Salgado, do Colégio Vértice, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “É possível enxergar nessa obra o valor da inclusão como necessidade social. Além de uma legítima ação reconstrutora da dignidade humana”, conclui Ana Lúcia Tampellini, coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, chamando atenção para o paralelo entre o filme e a sensibilidade necessária para lidar com estudantes portadores de necessidades especiais.

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte:
Educar para Crescer

Que lição tirar de Gênio Indomável?

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Por maior que seja o conhecimento sobre determinada área, é preciso obter formação humana para viver plenamente


FILME: Gênio Indomável, dirigido por Gus Van Sant, com Matt Damon e Robin Williams, 1997.

A HISTÓRIA: Will Hunting (Matt Damon) tem 20 anos e já registrou algumas passagens pela polícia. Trabalhando como servente em uma universidade, se revela um gênio em matemática. Ele faz terapia, por decisão judicial, mas não apresenta resultados de melhora porque debocha de todos os analistas. Até encontrar um com quem de se identifica.

QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. “A obra destaca a diferença entre inteligência e conhecimento, bem como a relevância do meio social na formação de um indivíduo. No entanto, o maior “aprendizado” do protagonista se dá por meio de um psicólogo que trará à luz os traumas e recalques do jovem super-dotado, para transformá-lo em um adulto capaz de exercer plenamente as potencialidades.”

POR QUE VER: “Conhecimento não é tudo. O protagonista é muito bom matemática, mas em termos emocionais é uma criança de cinco anos. É muito legal perceber como a genialidade não é sinônimo de sucesso. Também é interessante mostrar o intelecto como uma forma de dar valor à sua vida, ao bem-estar. Ele é o típico aluno que pode decorar Shakespeare, mas nunca o sentiu”, diz Leandro Alcerito, professor de biologia do Colégio Vértice, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Perceber como o saber construído pode servir de metáfora. As soluções dos problemas matemáticos são apresentados como soluções para problemas da vida, o que às vezes pode ser aplicado em sala de aula”, observa o professor de artes, filosofia e sociologia Zilton Salgado.

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte:
Educar para Crescer

Que lição tirar de Escola do Rock?

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É possível aprender se divertindo, principalmente quando a criatividade faz o aluno descobrir as próprias aptidões


FILME: Escola do Rock, dirigido por Richard Linklater, com Jack Black e Joan Cusack, 2003.

A HISTÓRIA: Um roqueiro (Jack Black) foi demitido da própria banda e tenta trabalhar como professor de música numa rígida escola particular. Lá, desperta nos estudantes interesse por diversos instrumentos e eles decidem montar uma grande banda sem que os pais saibam.

QUEM INDICA: o jornalista e escritor Eduardo Torelli. “Mesmo que de forma cômica e nitidamente despretensiosa, esse filme mostra que o professor pode e deve utilizar todos os recursos à mão para estabelecer uma comunicação com seus alunos, incentivando-os a aprender”.

POR QUE VER: “Aquele roqueiro decadente precisa assumir a identidade de um amigo para sobreviver como professor. O desafio é ainda maior por se tratar de uma escola tradicional e bem conceituada”, explica a coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, de São Paulo, Ana Lúcia Tampellini.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “A motivação criada pelo professor desperta habilidades e produz resultados fantásticos na aprendizagem. Uma lição valiosa para os educadores carentes de criatividade”, avalia Ana Lúcia.

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte:
Educar para Crescer

Que lição tirar de O Céu de Outubro?

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Assim como os estudantes do interior dos EUA, é possível aprender a lutar pelos próprios sonhos com paciência e trabalho em equipe

FILME: O Céu de Outubro, dirigido por Joe Johnston, com Jake Gyllenhaal e Chris Cooper, 1999.

A HISTÓRIA: O adolescente Homer Hickam (Jake Gyllenhaal) vive em uma cidade no interior dos EUA que vive basicamente da mineração. Ao saber que os russos lançaram o satélite Sputnik ao espaço, ele começa a sonhar em colocar um foguete em órbita. Para isso, Homer convence alguns amigos a ajudarem e, com o apoio de uma professora, dá início ao projeto que irá mudar sua vida para sempre.

QUEM INDICA: o jornalista Paulo Maffia. “O filme mostra que a caminhada rumo ao sucesso é lenta, mas necessita de pessoas com pequenas iniciativas em vários momentos, como a professora. Uma mulher dessas consegue mudar o rumo da humanidade”.

POR QUE VER: “A grande lição é o papel dessa experiência, de como transformar as coisas por meio da prática. Aquele grupo de meninos está ali fazendo coisas. Não está simplesmente vendo conteúdos. O sonho está ali, junto, embrenhado, mas está embrenhado na prática. É uma prática transformadora do cenário social. A superação de obstáculos, o acreditar nos sonhos”, avalia Zilton Salgado, professor de artes, filosofia e sociologia do Colégio Vértice, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “O papel da tutoria dessa professora. Conduzir o ideal até a prática. Um caminho muito simpático de como se trabalhar com um projeto. O professor que trabalha com um grupo menor, que encabeça um grupo, faz a diferença na formação de quem tem esses anseios por saber mais”, diz Salgado

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte: Educar para Crescer

Que lição tirar de Billy Elliot?

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Com sensibilidade e determinação, é possível livrar-se de rótulos, vencer preconceitos e conquistar a realização pessoal

FILME: Billy Elliot, dirigido por Stephen Daldry, com Julie Walters e Jamie Bell, 2000.

A HISTÓRIA: Billy Elliot (Jamie Bell) é um garoto de 11 anos que vive em uma pequena cidade mineradora da Inglaterra. Mesmo obrigado pelo pai a treinar boxe, fica fascinado com o balé. Estimulado pela professora de dança da academia que freqüenta (Julie Walters), ele resolve deixar a luta de lado e se dedicar totalmente ao balé e precisa enfrentar os preconceitos da sociedade local.

QUEM INDICA: A jornalista e escritora Isabella Saes. “O aprendizado de balé muda para sempre a vida de Billy, que acaba até sendo aprovado para o Royal Ballet de Londres. A transformação do pai dele - um cara super durão - numa pessoa mais sensível se dá justamente por meio desse filho, que resolve assumir a vontade de dançar e segue em frente”.

POR QUE VER: “É uma obra que motiva a discussão sobre preconceito e discriminação por meio da história de um garoto que decide se dedicar a aprender dança, algo considerado impróprio para alguém do sexo masculino naquela região e naquela época”, diz Ana Lúcia Tampellini, coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Na cena em que eles estão construindo a coreografia da apresentação, ocorre algo bem diferente. A professora pede que ele traga as coisas que gosta para a academia: luva de boxe, a bola de futebol. Buscar esse conhecimento de dentro do aluno tem tudo a ver”, acredita o professor de artes, filosofia e sociologia Zilton Salgado, do Colégio Vértice, também da capital paulista.

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte: Educar para Crescer

Ao mestre com carinho

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Além de discutir as questões raciais, o filme mostra como a realidade social do aluno interfere no desempenho escolar
FILME: Ao Mestre com Carinho, dirigido por James Clavell, com Sidney Poitier, 1967.

A HISTÓRIA: Mark Thackeray (Sidney Poitier) é um engenheiro desempregado que resolve dar aulas no bairro operário de East End, em Londres. Mas a turma, cheia de alunos indisciplinados, fará de tudo para que ele desista da sua missão, como fez com os professores anteriores.

QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. “Nem todas as armas do professor para motivar seus alunos são encontradas na sala de aula ou nos livros: o protagonista só estabelece uma conexão com os delinqüentes ao provar que há uma relação direta entre os conteúdos ensinados em classe e a progressão do mundo ao redor.”

POR QUE VER: “Retrata a história de um professor que, ensinando sob condições adversas (alunos desinteressados, agressivos, com pouca orientação familiar e sem perspectivas de enxergar a educação como espaço de aprendizado), consegue obter resultados importantes junto aos estudantes”, avalia a coordenadora Ana Lúcia Tampellini, da Escola São José de Vila Matilde, de São Paulo.

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: “Características indispensáveis para o perfil de um bom educador: compromisso, seriedade e determinação para resolver os problemas em sala”, comenta Ana Lúcia.

Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte: Educar para Crescer

Que lição tirar de Dúvida?

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A mistura de drama e suspense está concorrendo a 5 Oscar e mostra que é essencial vigiar o ambiente escolar, mas sem paranoia
FILME: Dúvida, dirigido por John Patrick Shanley, com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, 2008.

A HISTÓRIA: Em 1964, no bairro novaiorquino do Bronx, uma escola católica se divide entre a rigidez da diretora, irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), e o carisma libertário do padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), que também atua como professor na instituição. A partir de pistas incertas, a religiosa começa a suspeitar que ele tenha cometido abuso sexual contra um novo aluno, o primeiro negro a estudar no colégio. A dúvida entre a culpa ou inocência do padre também atinge a jovem irmã James (Amy Adams), que não consegue escolher qual dos colegas deve ajudar.

QUEM INDICA: O crítico de cinema Rubens Ewald Filho. “É uma grande polêmica. [A pedofilia] ganhou um tom mais pesado, muito dramático. No que se refere à Educação, é um filme sobre sistemas educacionais, no caso o católico tradicional. O grande momento são as cenas com a mãe do aluno [que supostamente sofreu abuso sexual], que tenta preservar a integridade do filho. É um conflito terrível que ela sofre.”

POR QUE VER: “A lição é que a escola não se realiza sem o estudante e temos muito que aprender com esses que estão chegando hoje a nossas salas de aula. Porque um dia é de um jeito e no outro ano não é o mesmo adolescente que está começando”, opina Laurindo Cisotto, assessor psicopedagógico do Ensino Médio no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo. Ele complementa dizendo que é preciso “sair do campo coletivo e ter um olhar para as subjetividades que estão se formando. Elas estão cada vez mais presentes no espaço escolar. Já estavam, mas a norma escondia. Hoje isso está muito mais visível, apesar do preconceito.”

QUE BOM EXEMPLO TIRAR: Repare nas cenas da irmã James em sala de aula. Essa é a dica de Ascânio João Sedrez, diretor educacional do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo. “Têm momentos em que estamos tão pessoalmente envolvidos no trabalho que a gente vai ficando irritado. Você como ser humano está ali nessa relação com adolescentes e pré-adolescentes que vão te fustigando. O cuidado e a capacidade de pedir perdão aos estudantes é algo que cria um vínculo muito significativo. Se não tenho afeto pelos estudantes, a coisa não rola, a educação não acontece”, avalia o gestor, que é mestre em Ciências da Religião.


Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte: Educar para Crescer

Assistir para entender

Um filme não precisa ser didático para ensinar valores importantes na formação dos alunos. Conheça obras do cinema aplaudidas por críticos e professores

Todos podem se espelhar em exemplos do cinema para descobrir maneiras de aprender e ensinar melhor. Sem deixar de se divertir nem se emocionar. Como explica a professora de Cinema e vice-coordenadora da Cinemateca da PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Verônica Ferreira Dias, um filme “é sempre algo atrativo, porque traz entretenimento e reflexão também”.

Para ela, quando a sétima arte retrata processos de aprendizado bem-sucedidos, é capaz de despertar o espírito crítico da sociedade. “As pessoas acabam repensando o sistema educacional, já que nem sempre têm paciência para ouvir discursos teóricos de especialistas”. E Verônica não está sozinha. Arte-educador e doutor em Educação pela USP (Universidade de São Paulo), Marcos Ferreira dos Santos pensa de modo semelhante. “O cinema faz com que a gente tenha um ‘olho privilegiado’ e consigamos entrever coisas invisíveis em certas situações”.

Por outro lado, o professor tem suas ressalvas e não acredita que campeões de bilheteria sejam os mais indicados para falar sobre Ensino. “Blockbusters são direcionados demais para fins comerciais, não saem do lugar-comum, e por isso é difícil alguém acordar para a necessidade de aprender”. Será? A professora da PUC acha que os chamados “filmes de arte” não conseguem atingir as massas e acabam sendo um esforço muitas vezes sem grandes resultados.

“Algo como Legalmente Loira contesta o estereótipo da ‘patricinha loira e burra’, quando ela chega à Harvard e faz o público enxergar que o importante é o esforço pessoal”, comenta Verônica. Clássico, cult ou popular, é sempre você quem decide. Conheça melhor abaixo os filmes selecionados pelo Educar que mostram como, de uma forma ou de outra, o importante é aprender uma lição para o resto da vida.

Filmes:
Dúvida
Ao Mestre com Carinho
Billy Elliot
O Céu de Outubro
Escola do Rock
Gênio Indomável
O Homem-Elefante
Legalmente Loira
Mr. Holland: Adorável Professor
Pink Floyd: The Wall
Sociedade dos Poetas Mortos


Texto escrito por Gabriel Navarro
Fonte: Educar para Crescer